Existe um paradoxo relacionado com a tecnologia blockchain que se encontra exposto na indústria de transporte e logística, de acordo com um estudo da Boston Consulting Group (BCG).

Este antagonismo reflecte-se na baixa taxa de adopção desta tecnologia. Segundo alguns entrevistados, a maioria acredita que esta tecnologia irá perturbar a indústria, mesmo que seja pouco, nos próximos dois a cinco anos. No entanto, três quartos dos inquiridos afirmam que estão a explorar, ainda que superficialmente, novas oportunidades, ou então não consideraram sequer a hipótese de utilizar este aplicativo. Os obstáculos mais destacados para a adopção da blockchain são a falta de coordenação entre os agentes da indústria, um conhecimento limitado da tecnologia e a falta de recursos internos.

De acordo com este estudo, as empresas de transportes e logística deviam resolver o paradoxo. Esta indústria está repleta de fontes de atrito (inúmeros fornecedores, dezenas de transferências e regulamentações em constante mudança) que introduzem custos sem valor agregado e de onde podem resultar informações imprecisas. Ao fornecer uma única fonte de verdade e possibilitar a automação de processos, a blockchain tem a capacidade de resolver muitos dos pontos problemáticos da indústria. No que diz respeito às vantagens, estas passam por melhorias na velocidade, rastreabilidade, segurança de carga e processos de facturação e pagamento. Estes benefícios podem gerar reduções de custos aliviando a pressão sentida pelos profissionais do sector. As empresas podem até usar esta tecnologia para desenvolver modelos de negócios novos.

Segundo uma análise realizada pelo BCG, os investidores de capital de risco aplicaram, desde 2013, cerca de 300 milhões de dólares em empresas iniciantes, oferecendo soluções de blockchain relevantes para o sector dos transportes e logística. Além disso, as empresas desta área já investiram milhões de dólares na pesquisa e desenvolvimento das suas próprias soluções blockchain. Este crescimento dos investimentos estima que irão surgir novas respostas ao mercado nos próximos anos. A questão que se impõe é se as entidades as adoptarão.

Uma das conclusões apresentadas neste estudo é o facto de a implementação da blockchain na indústria de transportes e logística, ter-se mostrado mais lenta do que esperado. Esta adopção tem sido impedida pelos obstáculos relacionados com a coordenação e confiança que a tecnologia ajudaria a indústria a superar. Este é o paradoxo da blockchain da indústria.

Para resolvê-lo, as partes interessadas devem entender como é que a cadeia de valor fragmentada e a confiança limitada, características do sector, estão a inibir a implementação desta tecnologia. A primeira torna esta área adequada a utilizar o aplicativo blockchain, mas a fragmentação também dificulta a adopção de um padrão comum desta tecnologia. A ausência deste padrão significa que os pedidos de blockchain procurados pelas empresas e consórcios, como iniciativas independentes, provavelmente não serão compatíveis entre si. No que respeita à confiança limitada, o sector dos transportes e logística é altamente competitivo, pelo que, os participantes podem ter problemas em partilhar informações, originando problemas de confiança. Assim, as empresas têm-se apoiado em relacionamentos de longo prazo com outros intervenientes da cadeia de valor, não se mostrando dispostas a partilhar dados fora desse círculo. Resultado disto, as partes interessadas resistem em abandonar os seus contactos de confiança, em torno de soluções blockchain, ou seja, a falta de familiaridade com esta tecnologia pode-se tornar um obstáculo.

De forma a resolver este paradoxo, as partes interessadas do sector dos transportes e logística deveriam criar um ecossistema de toda a indústria. Ao maximizar o valor para todos os intervenientes, o ecossistema iria fornecer incentivos para a adopção da blockchain ao longo da cadeia de valor.

Para estimular o desenvolvimento do ecossistema, uma empresa (ou grupo de empresas) deve actuar como orquestrador, para liderar as partes interessadas do sector, na criação de parcerias e colaborações entre os principais participantes da cadeia de valor para funcionar como base do ecossistema. Além disso, o orquestrador deve ainda estabelecer padrões, governança e considerações comerciais, bem como uma proposta de valor.

Algumas empresas de transportes e logística já começam a dar os primeiros passos para a formação de um ecossistema blockchain e outras devem decidir se querem participar ou tomar uma atitude de retaguarda. De acordo com a BCG, os benefícios de unir esforços aos pioneiros, superam qualquer vantagem de uma abordagem cautelosa. Ao agir dentro de um ecossistema, os primeiros impulsionadores podem influenciar o desenvolvimento de padrões e garantir que as soluções blockchain que pretendiam aplicar nas suas operações, estejam entre as já adoptadas na cadeia de valor.

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