A Cushman & Wakefield revelou os oito novos eixos logísticos que irão emergir na Europa, até 2030, através do estudo “The Changing Face of Distribution: The Shape of Things to Come”.

De acordo com esta pesquisa, estima-se que durante a próxima década surjam oito novos eixos que irão marcar a evolução do mercado logístico:

Eixo Azul – Foca-se no comércio internacional através dos portos Benelux. Embora os termos do Brexit permaneçam incertos, a Comissão Europeia decidiu remover o porto do Reino Unido das Redes Transeuropeias de Transporte (RTE-T), cortando qualquer ligação com o país. Este eixo pode vir a expandir-se para incluir Génova, devido à sua elevada importância.

Eixo do Reino Unido – Se o Brexit avançar e as redes marítimas, rodoviárias e ferroviárias do Reino Unido deixarem, oficialmente, de fazer parte do corredor Mar do Norte-Mediterrâneo da RTE-T, as cadeias de abastecimento serão, cada vez mais, focadas no mercado interno. Espera-se que o Brexit aumente a dependência do sector logístico nos portos do Reino Unido.

Eixo da Irlanda – As linhas férreas e rodoviárias, subsidiadas pela União Europeia, desde o porto de Cork, na Irlanda, até à fronteira com a Irlanda do Norte (incluindo Dublin), continuarão a fazer parte da RTE-T do Mar do Norte-Mediterrâneo. Está a ser criada uma nova rota marítima, de curta distância entre os portos de Cork e Dublin, Zeebrugge e Antuérpia, na Bélgica, e Roterdão, na Holanda. Devido à reduzida capacidade do porto de Zeebrugge, é provável que a demanda seja redireccionada para Ghent, na Bélgica, ou mesmo Zeelande, na Holanda.

Eixo Ibérico – Os fabricantes de automóveis alemães estão a ser atraídos pelos grupos de mão-de-obra especializados e de custos reduzidos, presentes em Espanha e Portugal. Alguns mercados ao longo do corredor “Atlântico”, como Bordéus, Valência e Lisboa, beneficiarão de um aumento do tráfego de distribuição entre Alemanha, Benelux, França e Península Ibérica, nos próximos 5-7 anos.

Eixo Europa Central – A evolução das auto-estradas e dos caminhos-de-ferro da RTE-T na Europa Central já melhorou a distribuição ao longo deste eixo. De 2030 para a frente, a rota marítima Eurásia irá conectar-se ao porto de Veneza, via Piraeus, Grécia, o que permitiria, eventualmente, aumentar o tráfego ao longo deste eixo de distribuição. Se este corredor se estender ao norte de Itália, poderá ligar-se ao eixo azul original, via Bolonha e Milão.

Eixo Nórdico – A distribuição realizada ao longo deste eixo, que liga o porto de Hamburgo a Copenhaga e Malmo, irá melhorar, substancialmente, com a conclusão do túnel Rodby-Puttgarden que será acessível tanto para camiões como para comboios de carga.

Eixo Mar Negro – Um futuro eixo de distribuição será conectado ao eixo Europa Central assim que as auto-estradas e os caminhos-de-ferro RTE-T Rhine Danube, que ligam Budapeste ao Mar Negro, estejam concluídas. Como resultado, espera-se que os mercados romenos, como Bucareste, desempenhem um papel crucial neste corredor de distribuição.

Eixo Báltico – A elevada importância do Báltico como um local de fabrico, dependerá da construção de redes rodoviárias e ferroviárias de autoestradas RTE-T que liguem esta região à Finlândia, Polónia, República-Checa e Alemanha. Tendo em conta que é necessário um significativo investimento ao nível das infra-estruturas, é provável que este corredor de distribuição se desenvolva a longo prazo. Embora esteja prevista para depois de 2030, foi proposta a construção de dois túneis, financiados pelo sector privado, para ligar Tallinn, na Estónia, e Helsínquia, na Finlândia. Vilnius, na Lituânia, está localizada centralmente ao longo deste eixo logístico.

A actividade logística a nível europeu irá passar por grandes transformações ao longo dos próximos anos, apontando as estimativas do Eurostat para que a procura de transportes de mercadorias na Europa Continental triplique.

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