A água é, agora, um dos maiores riscos para a continuidade de negócio industrial no Reino Unido e na Europa, ao mesmo nível dos ciberataques e das disrupções na cadeia de abastecimento. Esta é a principal conclusão do relatório “The Water Crunch Report”, divulgado pela Schneider Electric.
Nos últimos dois anos, os líderes industriais relatam que o stress hídrico já aumentou os seus custos operacionais (44%), pressionou os orçamentos de infraestruturas e manutenção (38%) e provocou disrupções nas cadeias de abastecimento (30%).
44% das empresas acredita que as suas operações começariam a ser afetadas, no prazo de 24 horas, caso ocorresse uma interrupção grave no abastecimento de água, amanhã.
Em média, mais de metade dos líderes industriais espera que a qualidade ou a disponibilidade da água se torne uma barreira séria ao crescimento das suas organizações nos próximos cinco anos, e uma em cada sete empresas afirma que já representa um constrangimento às operações ou crescimento.
Estas conclusões surgem numa altura em que os efeitos da seca já se sentem nos setores do transporte de mercadorias, energia e agricultura.
“A Europa não pode dar-se ao luxo de tratar a água apenas como uma questão ambiental. É agora uma questão de competitividade”, alerta Gwenaelle Huet, executive vice president, Industrial Automation da Schneider Electric. “Tal como a transição energética redefiniu a estratégia industrial na última década, a eficiência hídrica vai moldar a próxima. A inteligência industrial suportada por IA proporciona às empresas uma visibilidade sem precedentes sobre como a água é utilizada, desperdiçada e reutilizada”, sublinha.
86% dos líderes industriais e 98% das empresas de serviços de água afirmam que a tecnologia inteligente para a água pode reduzir os custos operacionais; e mais de 80% considera que protege a continuidade de negócio e reforça o desempenho em sustentabilidade.
Quase todas as organizações que participaram no estudo afirmam que a disponibilidade ou a qualidade da água já influenciou decisões importantes.
Por sua vez, a cibersegurança também está a subir na prioridade das agendas. Mais de metade dos líderes industriais e das empresas de serviços de água identifica-a como um dos principais riscos a gerir, à medida que os sistemas de água se tornam mais conectados e digitais.
Contudo, existe uma margem de crescimento. Muitos líderes conhecem tecnologias desenhadas para otimizar operações, mas ainda não as implementaram, o que significa que podem estar por alcançar maiores ganhos. Para os líderes empresariais europeus, o risco hídrico exige agora a mesma gestão ativa que a energia ou a cibersegurança.
A investigação inquiriu seniores de empresas industriais e decisores de empresas de serviços de água e municípios em toda a Europa.


