A descarbonização do transporte marítimo, a energia eólica offshore e a modernização dos navios abrem oportunidades para os estaleiros portugueses. Competitividade e disponibilidade de mão de obra qualificada foram temas em debate numa sessão do PortLab LxSeT, em Setúbal.

A construção e reparação naval portuguesa pode encontrar novas oportunidades na transformação energética da economia marítima e no reforço da capacidade industrial europeia. Estas perspetivas estiveram em discussão numa sessão do PortLab LxSeT, promovida pelo Porto de Lisboa-Setúbal, que reuniu representantes empresariais e especialistas na sede da APSS, em Setúbal.

O debate cruzou as perspetivas de evolução da construção e reparação naval com os desafios da competitividade europeia, da transição energética e da procura de mão de obra qualificada. A descarbonização da atividade marítima, a energia eólica offshore e a modernização tecnológica estiveram entre as áreas identificadas como oportunidades para o setor.

Participaram na sessão Luís Figueiredo, presidente do Conselho de Administração do Grupo ETE, Nuno Santos, administrador-delegado da Lisnave, e Luís Lopes, especialista em Políticas Públicas de Energia e Infraestruturas. A moderação coube a Pedro Ponte, diretor de Equipamentos, Infraestruturas e Ambiente do Porto de Setúbal.

Para Vítor Caldeirinha, presidente do Conselho de Administração do Porto Lisboa-Setúbal, o país reúne competências para ganhar peso neste mercado. “Portugal dispõe de conhecimento, experiência e condições para reforçar o seu posicionamento na indústria naval europeia, num setor que assume crescente relevância para a economia, para a inovação e para a autonomia estratégica europeia”, afirmou.

O responsável destacou também as atividades ligadas à descarbonização marítima, à economia azul e à energia offshore como oportunidades de criação de valor, emprego qualificado e desenvolvimento industrial.

A discussão incluiu as capacidades já instaladas em Portugal, com referência aos Estaleiros da Mitrena enquanto ativo relevante para a construção e reparação naval. O papel dos estaleiros portugueses na resposta às necessidades estratégicas europeias foi um dos pontos abordados, a par das condições necessárias para acompanhar a transformação tecnológica e energética do setor.