Como podem os transitários portugueses ganhar dimensão e poder negocial, preservando a autonomia de cada empresa? A questão estará no centro do Dia do Transitário, que reúne o setor esta sexta-feira, 23 de outubro, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões. À SCM, António Nabo Martins, diretor-geral da APAT, defende que a resposta passa também pela capacidade de trabalhar em conjunto.

Têm conhecimento dos mercados, clientes e também capacidade operacional mas, competir com os grandes grupos internacionais, exige volumes, poder negocial e capacidade de investimento, que nem sempre estão ao alcance de cada transitário português. Como ultrapassar essa limitação sem perder a identidade de cada empresa? É uma das questões que dão substância ao tema do Dia do Transitário 2026: “Escala e Eficiência: O Novo Paradigma Logístico”.

Organizado pela Associação dos Transitários de Portugal (APAT), o encontro chega a Leixões com lotação esgotada e um programa que cruza intermodalidade, cooperação empresarial e mudanças no comércio internacional.

Em declarações à Supply Chain Magazine, o diretor-geral da associação, António Nabo Martins, identifica um obstáculo: a fragmentação de um setor, composto sobretudo por pequenas e médias empresas e a dificuldade de construir uma atuação conjunta, preservando a autonomia de cada organização. “As nossas empresas têm conhecimento, clientes e capacidade operacional, mas, individualmente, nem sempre dispõem do volume, do poder negocial e da capacidade de investimento necessários para competir com os “gigantes” da logística mundial”, afirma.

Crescer também é vender melhor

Ganhar escala pode passar pela agregação, pela integração, por consórcios ou por parcerias. Na atividade transitária, explica António Nabo Martins, pode significar movimentar mais carga, negociar melhores tarifas, consolidar volumes e aumentar a rentabilidade por operação sem aumentar os custos. O objetivo é conseguir um crescimento sustentado, eficiente e competitivo. “Muitas vezes não é preciso “vender” mais, é preciso, é vender melhor”, resume.

Esta discussão recupera um tema que a APAT já tinha colocado em cima da mesa no seu congresso de 2019: as parcerias colaborativas. O responsável considera que há razões para o revisitar: «O mundo mudou, a logística mudou e o transitário terá de se adaptar a estas novas dinâmicas e permanentes mudanças.»

Na sua leitura, a dificuldade não se esgota na dimensão das empresas. Está também na forma como se organizam para competir, uma questão que liga o debate sobre escala à capacidade de cooperar, integrar serviços e construir alternativas para os clientes.

A ligação entre modos de transporte será um dos fios condutores da manhã de dia 23. Carlos Moldes intervém sobre “Conectar para Competir: A Intermodalidade nas Cadeias Logísticas”, antes da mesa-redonda “Da Escala à Competitividade: Como a Logística Está a Redesenhar os Negócios”. Moderado por Ana Guedes Rodrigues, o debate reúne José António Ruiz, do Corredor Atlântico, Duarte Rodrigues, do Grupo Sousa, Isabel Quintas, da AICEP, e Ema Leitão, da ANTRAM, juntando perspetivas sobre infraestruturas, operação de transporte e ligação das empresas aos mercados internacionais.

Ainda durante a manhã, António Soares, da Rodo Cargo, apresenta “Combi Way – Intermodalidade Ibérica: Escala, Eficiência e Conectividade”.

 

Das novas rotas às redes de parceiros

À tarde, o professor Tiago André Lopes aborda “O Mundo em Movimento: Geopolítica, Comércio e as Novas Rotas da Logística Global”. A intervenção enquadra uma discussão que, segundo a APAT, ganha relevância com a reorganização dos fluxos comerciais e a necessidade de diversificar rotas e soluções de transporte.

O programa prossegue com o bloco “APAT: + digital + global”. Phoebe Zhang, da JCtrans, fala sobre redes globais e oportunidades locais, enquanto José Barros, da Switch Digital, intervém sobre “Escalar com Confiança: O Risco também Viaja Pela Cadeia Logística”.

A sessão de abertura conta com Paulo Paiva, presidente da Mesa da Assembleia da APAT, Joaquim Pocinho, presidente da Direção da associação, e Carlos Mouta, vice-presidente da Câmara de Matosinhos. O encerramento caberá a António Nabo Martins.

O encontro inclui ainda uma participação de Eduardo Madeira e termina com um cocktail, mantendo a componente de convívio e relacionamento entre empresas.


NOTA - Notícia atualizada às 13h10 com declarações
à SCM de António Nabo Martins, diretor-geral da APAT.