O Governo brasileiro quer atrair empresas privadas para recuperar linhas ferroviárias sem utilização ou subaproveitadas. O Corredor Minas–Rio, com vocação para o transporte de café e produtos siderúrgicos, servirá de referência para o modelo.
Cerca de 10 mil quilómetros de ferrovia poderão voltar a integrar a rede de transportes brasileira, através de contratos de autorização a operadores privados. O programa abrange linhas subutilizadas, desativadas ou em processo de devolução ao Estado e foi apresentado pelo Ministério dos Transportes, em São Paulo.
Os contratos terão uma duração de 99 anos e as empresas selecionadas dispõem de até dois anos para apresentar um plano de requalificação, que definirá as intervenções necessárias à recuperação dos troços. O financiamento poderá ser assegurado por investimento privado ou contar com participação pública. Neste último caso, está previsto um procedimento que favorecerá a proposta que exigir menor contribuição do Estado.
O Corredor Minas–Rio é o projeto de referência. Com aproximadamente 733 quilómetros, inclui a ligação entre Iguatama, em Minas Gerais, e Barra Mansa, no Rio de Janeiro, o ramal Varginha–Lavras e o percurso até Angra dos Reis. A ANTT aprovou a versão definitiva do edital, com a divisão do corredor em dois lotes. O leilão está anunciado para 17 de dezembro de 2026, sendo o café e os produtos siderúrgicos duas das cargas apontadas para esta ligação.
A carteira apresentada pelo Governo identifica ainda sete troços regionais, conhecidos como shortlines, que poderão receber serviços de mercadorias, ou passageiros, e ligar-se aos principais eixos ferroviários do país. Entre eles estão Campina Grande–Cabedelo, na Paraíba, e duas ligações no Rio Grande do Sul.
A dimensão anunciada traduz, contudo, o potencial de recuperação identificado pelo Governo. A reativação dos 10 mil quilómetros dependerá do interesse dos operadores, das necessidades de investimento e da viabilidade de cada projeto.
FOTOGRAFIA: Rebecca Omena/Comunicação ANTT


