A verdadeira eficiência da supply chain exige passar da gestão isolada para a colaboração operacional end-to-end. É esta a visão que Pedro Camilo, Logistics Services manager da Lactogal Produtos Alimentares, partilha neste artigo de opinião, defendendo que a partilha de recursos e rotas entre diferentes players é a chave para otimizar custos e garantir competitividade. 

Desde há muito tempo que falamos em colaboração na supply chain. Não é um tema novo, mas ganha uma maior relevância devido à “conjuntura atual”. Quando falamos em “conjuntura atual”, a própria expressão pode ser enganadora porque transparece uma ideia temporária. É, em parte temporária, mas também tem uma parte que é estrutural. 

A expectativa atual é que o preço da energia, nomeadamente o que resulta dos combustíveis fósseis, não volte a ser o que era antes. Por dois motivos. O primeiro porque é praticamente certo que os impostos sobre os combustíveis não vão baixar, dada a importância que têm no orçamento de estado. O segundo porque existe uma redução da refinação devido às decisões tomadas nos últimos anos na Europa. Temos, portanto, uma diminuição da oferta com a consequência habitual sempre que diminui a oferta de qualquer bem ou serviço. 

Estes fatores afetam de forma substancial a competitividade das organizações que estão dependentes deste tipo de energia. Isto leva-nos a uma realidade já conhecida, mas que a cada dia se torna mais importante. Cada quilómetro conta, cada metro cúbico conta, cada carga conta. Tudo conta. Não é novo, mas é agora mais importante. 

A eficiência das operações é cada vez mais crítica para atingir resultados devido à pressão dos custos operacionais. Para aumentar a eficiência é necessário repensar, melhorar, otimizar e criar novos processos. Processos intraempresa e interempresas. 

A eficiência deixa, cada vez mais, de estar ligada a um elemento da cadeia. A ligação conjunta tem cada vez mais importância e é, em minha opinião, um dos fatores que mais potencial de crescimento apresenta. A colaboração operacional entre diversas organizações, onde se incluem os diversos players do mercado. 

A eficiência deve começar a estar ligada ao fluxo end-to-end e não apenas a cada entidade individual. Entre os diversos fabricantes, quantos clientes comuns existem? Quantas cargas são processadas individualmente para os mesmos clientes?  Quantas rotas de distribuição nas mesmas zonas existem? 

A colaboração entre os diversos players permite o aumento da eficiência. Nem todos estão na mesma fase de desenvolvimento em cada área, e poder-se-à utilizar, em comum, os recursos mais avançados de cada um. Com isto será possível gerar aumentos de escala com a consequente otimização dos custos operacionais.

Não podemos continuar a olhar sozinhos para a nossa operação, para o nosso armazém, para o nosso transporte ou para o nosso cliente. Temos de perceber como podemos trabalhar em conjunto para melhorar o resultado comum.

Num tempo em que falamos frequentemente de disrupção, esta solução é, seguramente, uma forma de mitigar as dificuldades atuais e talvez futuras (não sabemos hoje, mas já poderemos saber amanhã) dada a imprevisibilidade atual. Para isto é necessário quebrar barreiras físicas e psicológicas.

Pedro Camilo, Logistics Services Manager | Lactogal Produtos Alimentares