A Agência Internacional de Energia (AIE) aponta que o aumento do preço do gás natural está a impulsionar a procura por carvão em algumas regiões. No entanto, a situação no Estreito de Ormuz poderá ser determinante para perspetivar o cenário para 2027.
As perturbações no mercado energético espoletadas pelo conflito no Médio Oriente estão a proporcionar uma procura mundial por carvão, uma vez que o aumento dos preços do gás natural está a levar os países a recorrer a fontes alternativas, de acordo com a mais recente atualização da AIE.
Ainda que praticamente nenhum transporte marítimo de carvão passa pelo Estreito de Ormuz, as perturbações associadas ao conflito afetaram os mercados de carvão ao inflacionarem os preços do gás natural devido à queda no envio de Gás Natural Liquefeito (GNL) pelo estreito.
Esta dinâmica impulsionou a uma maior produção de eletricidade a partir do carvão em países que dispõem de centrais a gás e capacidade fabril excedentária de carvão. Estes fatores contribuíram para um aumento do consumo de carvão na Europa, Japão, Coreia, China e outros mercados.
A China é um dos países que aumentou o seu consumo de carvão destinado à produção de produtos químicos devido aos elevados preços do petróleo. Além disso, devido ao El Niño, os principais países consumidores da Ásia, como a Índia e o Vietname, deverão também aumentar a procura por carvão, devido a maiores necessidades de refrigeração e menor produção hidroelétrica.
Como resultado, prevê-se agora que a procura global de carvão, que se pensava que iria diminuir ligeiramente em termos homólogos, aumente 1,2% em 2026, elevando o consumo mundial para um recorde de 8,94 mil milhões de toneladas.
Ainda assim, após ter atingido um recorde histórico em 2025, espera-se que a produção global de carvão diminua ainda este ano, embora se deva manter acima dos 9 mil milhões de toneladas.
O cenário pode mudar em 2027, ainda que se mantenha uma incerteza sobre as suas perspetivas devido ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Poderá dar-se o caso de os fluxos de GNL através do estreito recuperarem e os preços do gás natural recuarem para níveis pré-guerra, e a procura por carvão poderá diminuir; ou se o estreito se mantiver maioritariamente fechado aos envios de GNL, a procura por carvão deverá aumentar.


