A IAA Transportation regressa a Hanôver, entre 15 e 20 de setembro, com uma questão a atravessar toda a indústria: como levar as novas tecnologias dos protótipos e projetos-piloto para operações de transporte de mercadorias comercialmente viáveis. Eletrificação, hidrogénio, condução autónoma, veículos definidos por software e inteligência artificial estarão entre os principais eixos de uma feira que reúne fabricantes, fornecedores, operadores logísticos, empresas de energia e prestadores de serviços.

Sob o lema “We Deliver”, a IAA Transportation 2026 pretende mostrar como a indústria está a responder às exigências de descarbonização, digitalização e eficiência num momento em que os custos, a infraestrutura disponível e o enquadramento regulatório continuam a condicionar as decisões das transportadoras e dos gestores de frota.

A organização afirma que praticamente todos os pavilhões disponíveis estão ocupados. Mais de 70% dos expositores são internacionais e 26% participam pela primeira vez, o que reforça a dimensão global da feira e revela a entrada de novos operadores tecnológicos e industriais no ecossistema do transporte.

A oferta apresentada em Hanôver deverá abranger toda a cadeia de valor do transporte rodoviário de mercadorias, desde fabricantes de veículos comerciais pesados e ligeiros até produtores de reboques e carroçarias, fornecedores de componentes, empresas tecnológicas, prestadores de serviços e startups.

Uma transição com várias tecnologias

A feira não aponta para uma solução única. Entre as tecnologias em destaque estarão os veículos elétricos a bateria, sistemas híbridos, células de combustível, biocombustíveis e combustíveis sintéticos, a par dos motores de combustão preparados para cumprir a norma Euro 7.

A diversidade reflete as diferentes exigências operacionais do transporte de mercadorias. A distribuição urbana, o transporte regional e as operações de longo curso apresentam necessidades distintas em matéria de autonomia, tempos de carregamento ou abastecimento, carga útil, previsibilidade das rotas e utilização diária dos veículos.

Mais do que discutir apenas emissões, a edição de 2026 deverá colocar no centro do debate o custo total de propriedade, a disponibilidade de energia, a capacidade das redes elétricas e a existência de infraestrutura nos principais corredores logísticos.

O próprio setor reconhece que a oferta de veículos está a avançar mais depressa do que as condições necessárias para a sua utilização em larga escala. No IAA Media Summit, realizado em junho, a insuficiência das redes de carregamento elétrico e de abastecimento de hidrogénio foi identificada como um dos principais obstáculos à adoção de veículos comerciais de emissões reduzidas ou nulas.

Segundo a organização, a infraestrutura de carregamento será, por isso, um dos focos da feira, incluindo o desenvolvimento de uma rede pública com cobertura nacional e internacional. A discussão deverá abranger não apenas o número de pontos disponíveis, mas também a potência, a localização, a fiabilidade e a sua compatibilidade com os tempos de operação e descanso das frotas.

Grandes grupos unem-se para acelerar o hidrogénio

É neste contexto que Volvo Group, Daimler Truck, Toyota Motor Corporation, Bosch, Air Liquide, TotalEnergies, TEAL Mobility e MB Energy anunciaram uma iniciativa conjunta destinada a acelerar a utilização do hidrogénio no transporte rodoviário pesado.

O objetivo passa por criar na Europa um ecossistema integrado que combine oferta de veículos, produção e fornecimento de hidrogénio e infraestrutura de abastecimento. A iniciativa prevê a instalação de postos ao longo de corredores estratégicos europeus, articulada com a entrada em operação de frotas de camiões a hidrogénio.

As empresas defendem que esta coordenação ao longo da cadeia de valor permitirá aumentar a escala, garantir maior previsibilidade no abastecimento e aproximar o custo total de propriedade dos camiões a hidrogénio de níveis competitivos. A Alemanha deverá assumir um papel central no projeto, reunindo fabricantes, empresas de energia e decisores políticos em torno da implementação até 2030.

O anúncio, divulgado a 3 de setembro, não apresenta ainda metas relativas ao número de veículos, estações, corredores abrangidos, volumes de hidrogénio ou investimento previsto. Os pormenores deverão ser revelados num evento com os presidentes executivos das empresas participantes, marcado para 15 de setembro durante a feira.

O hidrogénio é apresentado como uma solução complementar aos veículos elétricos a bateria, sobretudo nas operações pesadas e de longa distância em que a autonomia, os tempos de imobilização, a carga útil e a intensidade de utilização podem dificultar a eletrificação.

Software, IA e operações autónomas

A transformação do transporte de mercadorias não estará limitada às motorizações. A organização destaca também os veículos conectados e autónomos, os sistemas logísticos digitais e as soluções inteligentes de gestão de frotas.

Estas tecnologias deverão mostrar como os dados podem ser utilizados para planear rotas, reduzir consumos e quilómetros em vazio, gerir carregamentos, antecipar necessidades de manutenção e melhorar a utilização dos veículos. A inteligência artificial surge associada tanto à operação das frotas como à automatização de processos logísticos e à tomada de decisão.

A presença de estudos de viabilidade e demonstrações em condições reais é outro dos elementos destacados pela organização. O desafio para os fornecedores será provar que as soluções apresentadas conseguem responder às exigências de disponibilidade, produtividade e rentabilidade das empresas de transporte, para lá do desempenho tecnológico.

Os test drives regressam em 2026 e deverão contar, segundo a organização, com uma frota mais numerosa e diversificada do que nas edições anteriores. A feira inclui ainda demonstrações interativas e um programa de conferências dedicado aos desafios tecnológicos, económicos, infraestruturais e regulatórios do setor.

No segmento da distribuição urbana e da última milha, estarão também representados fabricantes de veículos comerciais de menor dimensão, bicicletas de carga e outras soluções destinadas à movimentação de mercadorias em cidades cada vez mais condicionadas por restrições de acesso e metas de redução de emissões.

A IAA Transportation 2026 decorre de 15 a 20 de setembro, no recinto da Deutsche Messe, em Hanôver.