De acordo com o ranking One Hundred Container Ports 2026, divulgado pela Lloyd’s List no final de agosto e elaborado com os volumes movimentados em 2025, os 100 maiores portos de contentores do mundo movimentaram 792,2 milhões de TEU em 2025, mais 6,3% do que no ano anterior. A Ásia concentrou perto de 68% de todo o tráfego incluído no ranking, enquanto os portos chineses representaram, sozinhos, mais de 40%.
Os maiores portos de contentores do mundo continuaram a crescer em 2025, apesar da instabilidade geopolítica, da incerteza em torno das tarifas e do abrandamento da economia global. Os 100 portos acompanhados pela Lloyd’s List movimentaram, em conjunto, 792,2 milhões de TEU, um aumento homólogo de 6,3%.
Xangai manteve a liderança mundial, seguido por Singapura e Ningbo-Zhoushan. Shenzhen, Qingdao e Guangzhou completam os seis primeiros lugares, confirmando o peso da China na geografia mundial dos fluxos de contentores.
Entre os dez maiores surgem ainda Busan, na Coreia do Sul, Tianjin, na China, Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Port Klang, na Malásia.
Ásia concentra quase 68% do tráfego
A Ásia reforçou a sua posição dominante e passou a representar perto de 68% do movimento total registado pelos 100 portos. Só os portos chineses processaram mais de 40% do volume agregado.
A diversificação das cadeias de abastecimento e a transferência de parte da produção para outros países asiáticos não retiraram centralidade à China. Pelo contrário, o país continua no centro dos principais fluxos de contentores, apoiado no crescimento das ligações comerciais com o Sudeste Asiático e outros mercados emergentes.
O top 20 mundial integra 15 portos asiáticos. Além dos que ocupam os primeiros lugares, encontram-se nesta faixa Port Johor, na Malásia, Hong Kong, Xiamen, Laem Chabang, na Tailândia, Suzhou e Beibu Gulf.
Tanger Med ocupa a 16.ª posição e é o porto africano mais bem colocado no ranking, à frente de Los Angeles, que surge no 18.º lugar. O porto marroquino confirma assim a crescente importância dos hubs do Mediterrâneo e do Norte de África nas redes internacionais de transporte marítimo.
Na Europa, Roterdão permanece como o maior porto de contentores, na 12.ª posição mundial, imediatamente à frente de Antuérpia-Bruges. O porto de Hamburgo surge apenas no 27.º lugar.
A Lloyd’s List destaca precisamente o Médio Oriente e África entre as regiões com alguns dos crescimentos mais expressivos de 2025. A reconfiguração das rotas, as perturbações geopolíticas e as alterações introduzidas pelas transportadoras nas suas redes favoreceram vários hubs de transbordo e novas portas de entrada regionais.
Números refletem reorganização das cadeias
O aumento do movimento portuário não resulta apenas da expansão do comércio internacional, reflete também alterações nas origens de abastecimento, antecipação de importações perante o risco tarifário e reorganização das redes marítimas.
Na América do Norte, os portos enfrentaram um contexto mais difícil, condicionado pelas tarifas e pelas mudanças nos fluxos de carga. Los Angeles é o único porto norte-americano entre os 20 primeiros, enquanto Long Beach aparece na 21.ª posição e Nova Iorque/Nova Jérsia na 23.ª.
Os resultados evidenciam que conectividade, capacidade de adaptação e integração nas redes dos armadores estão a tornar-se fatores cada vez mais determinantes para a competitividade portuária. Num contexto de rotas mais instáveis e cadeias de abastecimento em transformação, o volume movimentado continua a ser um indicador de escala, mas não deve ser confundido com eficiência operacional, que é avaliada por métricas diferentes.


