As exportações portuguesas de calçado diminuíram 2,1% no primeiro semestre do ano, em comparação com o período homólogo, alcançando um total de 813 milhões de euros.
A Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) indica que estes dados se inserem num contexto de “desaceleração geral no comércio global de calçado”. Itália e Espanha – os dois principais concorrentes de Portugal – registaram maiores quebras.
Paulo Gonçalves, diretor executivo da APICCAPS, afirma que a indústria portuguesa está a passar por um período muito difícil, bem como outros produtores globais. “Mesmo assim, Portugal conseguiu resistir melhor à pressão do que muitos dos seus concorrentes e preservar uma posição internacional baseada em valor, qualidade e capacidade de resposta das empresas”, ressalva.
Embora reconheça que não se pode minimizar a contração das exportações, Paulo Gonçalves refere que esta deve ser encara de um ponto de vista de desaceleração geral no comércio global de calçado. Assim, considera que “os resultados mostram que a estratégia de Portugal continua adequada e que as empresas conseguiram defender os seus mercados num ambiente de enorme pressão”.
O setor continua a ser afetado pelas disrupções globais. Os conflitos na Ucrânia e Médio Oriente têm reduzido o acesso a mercados de luxo que eram importantes para a indústria portuguesa, e as interrupções logísticas especialmente no estreito de Ormuz, estão a penalizar a atividade económica e a contribuir para custos mais altos, segundo o responsável.
A APICCAPS revela que “internacionalmente, todos os principais players enfrentam dificuldades significativas nos primeiros cinco meses de 2026”. A China registou perdas de 10,9%, o Brasil 15,7% e a Turquia 5,3%.


