Além da tragédia humana, com mais de 730 mortos e perto de 2500 pessoas ainda desaparecidas, as cheias repentinas que atingiram o Nepal abriram uma complexa frente logística. Estradas e pontes destruídas, hospitais inacessíveis e milhares de famílias a necessitar de assistência imediata estão a dificultar a chegada de alimentos, abrigo, medicamentos e equipas de emergência e de resgate e salvamento às zonas afetadas.

As cheias repentinas que atingiram o centro do Nepal, a 26 de agosto, provocaram danos significativos em infraestruturas críticas e colocaram as autoridades e organizações humanitárias perante uma difícil operação logística.

Segundo os dados provisórios citados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e atribuídos às autoridades nacionais, morreram mais de 730 pessoas, perto de 2500 continuam desaparecidas e mais de 200 ficaram feridas. O balanço permanece sujeito a atualização à medida que prosseguem as operações de avaliação, busca e salvamento.

A destruição de estradas, pontes, instalações aduaneiras, unidades de saúde e infraestruturas hidroelétricas está, ao mesmo tempo, a condicionar a resposta à emergência. Fazer chegar alimentos, abrigo, medicamentos e assistência médica às comunidades isoladas tornou-se um dos principais desafios nas regiões afetadas.

Os distritos de Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Chitwan, na província de Bagmati, e de Gorkha e Tanahun, na província de Gandaki, estão entre os mais afetados. O Governo do Nepal declarou 15 municípios como zonas atingidas por uma situação de crise, por um período de três meses.

As cheias em Rasuwa terão sido provocadas por uma subida súbita do caudal do rio Bhote Koshi, com origem na Região Autónoma do Tibete. O fenómeno poderá estar relacionado com uma avalanche de gelo e com o bloqueio temporário do rio Lhende, embora as causas continuem a ser avaliadas.

As águas destruíram ou danificaram habitações, mercados, estradas, pontes, instalações aduaneiras e infraestruturas hidroelétricas. Estima-se que cerca de 10 mil famílias necessitem de assistência imediata nos seis distritos afetados.

Hospitais inacessíveis e serviços interrompidos

A destruição das ligações rodoviárias está a dificultar o acesso às comunidades deslocadas e a interromper serviços essenciais. Segundo a informação divulgada pela mesma fonte, quatro unidades de saúde ficaram totalmente destruídas no distrito de Rasuwa e duas sofreram danos parciais em Dhading.

Os hospitais de Dhading e Trishuli encontram-se inacessíveis devido aos danos nas estradas, uma situação que condiciona não apenas a deslocação dos doentes, mas também o abastecimento de medicamentos, material clínico, sangue e outros recursos necessários à prestação de cuidados.

Equipas médicas de emergência foram deslocadas de Catmandu para os distritos atingidos, enquanto as autoridades procuram reforçar os cuidados de trauma, os primeiros socorros, a disponibilidade de sangue e a continuidade da assistência médica.

O Ministério do Interior solicitou também o apoio de parceiros para responder às necessidades mais imediatas, incluindo alimentos, abrigo e assistência médica. A resposta está a ser coordenada pelo Governo do Nepal através dos mecanismos nacionais e provinciais de emergência e gestão de catástrofes.

Kit médico para 10 mil pessoas durante três meses

Nas primeiras horas após a catástrofe, a OMS mobilizou e expediu medicamentos, equipamentos e outros bens essenciais para as zonas afetadas. Entre o material enviado encontra-se um Interagency Emergency Health Kit, concebido para responder às necessidades básicas de saúde de cerca de 10 mil pessoas durante três meses. Foram igualmente mobilizadas tendas multiusos, máscaras cirúrgicas, luvas, desinfetante para as mãos e outros produtos médicos.

A organização disponibilizou ainda 150 mil dólares através do Fundo Regional para Emergências de Saúde do Sudeste Asiático, destinados a financiar as necessidades mais urgentes e apoiar a resposta e a recuperação dos serviços de saúde.

Mais do que assegurar a existência de produtos e equipas, a operação depende agora da capacidade de os colocar nos locais onde são necessários. Com estradas interrompidas, hospitais isolados e infraestruturas de apoio danificadas, alcançar as populações em zonas de acesso condicionado continua a ser, segundo a OMS, um dos principais desafios da resposta.

A deslocação de pessoas, a concentração em abrigos temporários e os danos nos sistemas de abastecimento de água e saneamento aumentam ainda o risco de doenças diarreicas e respiratórias, infeções transmitidas por água ou alimentos e doenças associadas a este tipo de calamidades. A vigilância epidemiológica, o tratamento dos feridos, a continuidade dos cuidados essenciais e o restabelecimento das unidades de saúde estão, por isso, entre as prioridades imediatas. A OMS prevê igualmente continuar a apoiar a avaliação das necessidades, a coordenação da resposta e a recuperação dos serviços afetados.

Foto: WHO - Organização Mundial da Saúde