A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável e a UVE – Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos criticam a falta de apoios diretos à compra de pesados elétricos e à instalação da infraestrutura de carregamento necessária, considerando que os benefícios fiscais existentes são limitados.

Em comunicado, as duas associações notam que Portugal avança lentamente na eletrificação dos veículos pesados de mercadorias, com os dados relativos ao primeiro semestre de 2026 a mostrarem que apenas 0,5% dos novos veículos com mais de 12 toneladas vendidos no país eram elétricos, uma percentagem bastante inferior à média europeia, de 2,3%. Nos Países Baixos, a quota de pesados de mercadorias elétricos é de 9,5%, na Dinamarca situa-se nos 8,8% e na Áustria nos 7%.

Também nos camiões médios e nas carrinhas entre 3,5 e 12 toneladas Portugal está abaixo da média europeia, com os elétricos a representarem 17,4% das vendas nacionais, contra 21,1% na União Europeia. Nos Países Baixos, essa percentagem é de 69,8%, na Dinamarca de 57,1% e na Alemanha de 29,8%.

A ZERO e a UVE chamam a atenção que a eletrificação dos veículos pesados pode ter um impacto significativo na redução do consumo de petróleo. Dão como exemplo um veículo de distribuição regional ou de utilização intensiva: se percorrer cerca de 100 mil quilómetros por ano consome entre 33 mil e 35 mil litros de gasóleo.

Além disso, a substituição de um único veículo deste tipo por um modelo elétrico permitiria retirar anualmente do consumo uma quantidade de petróleo equivalente à utilizada por mais de 30 automóveis médios.

As associações lembram que vários países da Europa Ocidental combinam diferentes medidas para acelerar esta transição, incluindo subsídios à aquisição de veículos, benefícios fiscais, apoio à instalação de carregadores, comparticipação das ligações à rede elétrica e reduções ou isenções de portagens.

Entre os entraves à eletrificação está também, segundo a ZERO e a UVE, a inadequação das infraestruturas de carregamento. É que Portugal dispõe de mais de 15.500 pontos de carregamento públicos, mas a maioria foi concebida para veículos ligeiros. Em abril de 2026 – afirmam – não existia qualquer localização pública operacional classificada especificamente como infraestrutura para veículos pesados e equipada com pelo menos um carregador de 350 kW.

A situação poderá começar a mudar em breve, pois está prevista a entrada em funcionamento dos primeiros pontos públicos destinados especificamente a pesados. A expetativa é que, até final do ano, o número de localizações se aproxime de uma dezena, o que, ainda assim, será insuficiente para criar condições para uma adoção significativa de camiões elétricos.

 

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