As entregas de última milha com recurso a drones estão a entrar numa nova etapa de desenvolvimento. Os recentes anúncios da Amazon e da Uber – de que vão expandir o seu uso nos Estados Unidos – apontam para um nível de maturidade que retira esta tecnologia do domínio experimental, conferindo-lhe asas para voar comercialmente.

Uber e a ambição de um milhão de entregas diárias

O primeiro sinal chegou da Uber, que, esta terça-feira, 19 de agosto, anunciou uma parceria com a companhia Zipline, especializada em entregas por drone, para escalar as suas operações nos Estados Unidos. Os primeiros desenvolvimentos deverão acontecer no final do ano, com os clientes da Uber Eats a ganharem a opção de receber as suas encomendas em minutos através de drones autónomos. Para acelerar esta operação, a Uber vai investir na Zipline, de modo a alcançarem a meta de um milhão de entregas por dia até final de 2029.

“A Zipline construiu uma tecnologia incrível e a Uber liga muitos milhões de pessoas com comerciantes locais todos os dias. Juntos, estamos a moldar o futuro das entregas, através da criação de uma forma mais rápida e mais sustentável de as pessoas receberem o que precisam”, notou o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi.

A Zipline opera em quatro continentes, fazendo uma entrega a cada 20 segundos, o que corresponde a mais de 217 milhões de quilómetros de voos autónomos. No total, efetuou mais de 2,7 milhões de entregas, de mais de 20 milhões de artigos.

A propósito, o cofundador da empresa, Keller Cliffton, comentou que o teletransporte já não é ficção científica, estando a tornar-se parte do quotidiano: “Cada grande revolução no transporte mudou o modo como as pessoas vivem, como as empresas operam e como a economia cresce. Com a Uber, estamos a dar o próximo passo para construirmos um mundo onde ter aquilo que se precisa é tão rápido e fácil como enviar uma mensagem, não importa onde se esteja.”

Amazon, um voo para 500 cidades norte-americanas

Esta quarta-feira, 19 de agosto, foi a vez de a Amazon dar a conhecer os seus planos de expandir as entregas aéreas a quase 500 cidades norte-americanas. Os clientes – segundo o gigante de e-commerce – poderão receber as encomendas em 30 minutos.

“Os clientes já procuram a entrega no mesmo dia da encomenda, pelo que o Prime Air lhes providencia uma opção ainda mais rápida. Já entregamos, anualmente, centenas de milhar de encomendas por drone e, até final de 2026, esperamos alcançar clientes em quase 500 cidades”, anunciou, em comunicado, o vice-presidente da Amazon Prime Air, David Carbon.

Chicago, Atlanta, Cleveland e Boise serão algumas das áreas abrangidas, sendo que os drones vão incidir, primeiro, nas áreas suburbanas, evitando os arranha-céus e aeroportos. O serviço será grátis para os clientes Prime, mas terá um custo adicional para os demais.

Os drones têm capacidade para transportar encomendas até cerca de 2,3 quilos, numa dimensão equivalente a uma “grande caixa de sapatos”, o que, segundo a Amazon, abrange mais de 60% dos artigos que os clientes compram com mais frequência.

Este anúncio surge depois de, em abril, numa comunicação aos acionistas, o CEO da Amazon, Andy Jassy, ter afirmado que a empresa aprendeu muito com a experiência inicial em onze localizações dos Estados do Arizona, Flórida, Kansas, Luisiana, Michigan, Nebrasca e Texas.

Em janeiro deste ano, a Amazon havia já dado conta de testes para entregas com drone no Reino Unido, a partir do centro logístico de Darlington.