Uma sondagem da Public First, realizada em 24 países da União Europeia e Reino Unido, aponta que em 23 dos 25 países analisados, os cidadãos têm preferência por produtos nacionais. Portugal e Espanha estão entre esses países. 

Portugal e Espanha são os países cujo apoio líquido à preferência por produtos nacionais é o mais elevado, superando os 50%. Destaca-se ainda a preferência de ambos os países por produtos europeus.

Já na Letónia e Estónia, a preferência por produtos europeus está abaixo dos 10%, enquanto o apoio a produtos nacionais se situa na ordem das dezenas.

Os resultados da sondagem, publicados pelo POLITICO, e citados pela Executive Digest, surgem numa altura em que a União Europeia discute o Industrial Accelerator Act, uma proposta que pretende dar vantagem a produtos europeus nos contratos públicos e reforçar a indústria perante a concorrência internacional.

Luke Shore, diretor do think tank Project Tempo, que analisou os dados para o POLITICO, indica que a maioria tem preferência pelos produtos nacionais antes de optar pelos europeus. Em média, o apoio a regras que favoreçam produtos nacionais nas compras públicas fica ligeiramente acima dos 50%, enquanto o apoio para produtos europeus situa-se abaixo de metade.

Assim, a Comissão Europeia tem como objetivo utilizar o peso das compras públicas para estimular a procura por produtos europeus. Este mercado corresponde a cerca de 17% da produção económica da União Europeia.

No entanto, a sondagem mostra que o apoio a políticas protecionistas diminui quando os consumidores são confrontados com a possibilidade de preços mais elevados. Mais de metade dos inquiridos considera que a Europa deve produzir a própria tecnologia limpa, ainda que possa demorar mais tempo. Apenas 35% apoiam tarifas sobre tecnologia chinesa, uma vez que essas medidas podem resultar em preços mais elevados.