Os incêndios que atingem Espanha e França estão a provocar fortes perturbações no transporte rodoviário de mercadorias entre a Península Ibérica e o resto da Europa. Em França, a A63 permanece encerrada ao longo de cerca de 170 quilómetros entre Bayonne e Bordéus, obrigando os veículos pesados a seguir por itinerários alternativos consideravelmente mais longos.

A interrupção naquele que é um dos principais corredores rodoviários para o transporte ibérico prolonga-se há mais de 36 horas e afeta os dois sentidos da circulação. Segundo a última atualização da VINCI Autoroutes, divulgada às 14h00 (hora local) desta terça-feira, 28 de julho, não eram esperadas alterações significativas nas horas seguintes.

A progressão dos incêndios na Gironda e nas Landes levou as autoridades francesas a encerrar a A63 para facilitar a circulação dos meios de emergência e afastar o tráfego das zonas atingidas pelo fogo. A medida deixou centenas de camiões provenientes de Espanha imobilizados à entrada de Bayonne ou obrigados a alterar a rota. Na segunda-feira, as filas chegaram aos sete quilómetros. Esta terça-feira, ainda se registavam cerca de três quilómetros de congestionamento junto à ligação entre a A63 e a A64, compostos em grande parte por veículos pesados.

A alternativa indicada para quem circula de Bayonne em direção a Bordéus passa pela A64, seguindo depois pela A65 até Langon e entrando na A62. No sentido contrário, os veículos devem utilizar a A62, a A65 e a A64 para regressarem à A63 em direção ao País Basco e à fronteira espanhola.

Para o transporte internacional de longa distância, as autoridades recomendam um desvio ainda mais amplo, pela A64 até Toulouse e depois pela A20, através de Brive-la-Gaillarde, evitando a região de Bordéus e as zonas afetadas pelos incêndios. Além do aumento da distância percorrida, estes desvios deverão traduzir-se em tempos de viagem mais longos, maior consumo de combustível e dificuldades acrescidas no cumprimento dos horários de entrega e dos tempos de condução e repouso.

A VINCI Autoroutes aconselha as transportadoras a verificarem as condições de circulação antes de iniciarem viagem e a evitarem, sempre que possível, os setores afetados.

Dezenas de estradas cortadas em Espanha

Também em Espanha os incêndios estão a condicionar a circulação rodoviária, sobretudo nas comunidades de Madrid, Castela e Leão, Castela-Mancha e Comunidade Valenciana.

O levantamento, divulgado pela Dirección General de Tráfico (DGT), atualizado às 13h50 (hora local) desta terça-feira, identificava dezenas de troços encerrados. Embora a maioria dos cortes incida sobre estradas regionais e locais, está também interrompida a N-403 em vários pontos entre as províncias de Toledo, Madrid e Ávila.

Entre as vias afetadas encontram-se ainda a M-501, M-505, M-507 e M-510, na região de Madrid, várias estradas provinciais de Ávila e Toledo e diferentes eixos na província de Castellón. Todos estes troços estão classificados pela DGT com nível de serviço negro, o que corresponde à interrupção da circulação.

A dimensão dos cortes dificulta as operações de transporte e distribuição nas regiões atingidas e limita as alternativas disponíveis para contornar as zonas dos incêndios. A DGT recomenda a consulta permanente do estado das estradas afetadas, uma vez que as restrições podem ser alteradas em função da evolução do fogo e das operações de emergência.

Restrições de verão agravam pressão sobre o transporte

As perturbações provocadas pelos incêndios surgem numa altura em que França aplica também as restrições estivais à circulação de veículos de transporte de mercadorias com mais de 7,5 toneladas.

Depois das proibições dos dias 11, 18 e 25 de julho, os veículos abrangidos estarão novamente impedidos de circular em toda a rede rodoviária francesa nos sábados 1 e 8 de agosto, entre as 7h00 e as 19h00. A estas limitações juntam-se as restrições gerais aplicáveis aos domingos e feriados, embora estejam previstas exceções para determinadas operações e categorias de mercadorias.

A sobreposição dos cortes extraordinários motivados pelos incêndios com as proibições próprias do período de verão reduz as janelas disponíveis para atravessar território francês e deverá aumentar a concentração de veículos pesados nos principais corredores antes e depois dos horários de restrição.

Para as transportadoras portuguesas que asseguram ligações rodoviárias com França, o centro e o norte da Europa, a interrupção da A63 assume especial relevância. O eixo constitui uma das principais portas de entrada do transporte ibérico no mercado francês e a necessidade de recorrer a desvios extensos está a introduzir maior imprevisibilidade numa das semanas mais exigentes do calendário rodoviário europeu.