A nova unidade industrial será dedicada à produção de sistemas que asseguram a continuidade do fornecimento energético em data centers, hospitais e outras infraestruturas críticas. O projeto deverá criar cerca de 400 postos de trabalho e reforça a capacidade da Hennig para abastecer os mercados europeu e transatlântico.

A Hennig vai investir 51 milhões de euros na construção de uma nova unidade industrial na Zona Industrial do Pincho, na Figueira da Foz, dedicada à produção de soluções energéticas para infraestruturas críticas. A conceção e construção da fábrica foram entregues à Garcia Garcia, num projeto desenvolvido em modelo design and build.

A primeira pedra da unidade foi lançada no dia 23 de julho, numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, do presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, e de representantes da Hennig, da AICEP e da Garcia Garcia.

O projeto representa um investimento contratualizado de 51 milhões de euros e o Estado português atribuirá um apoio financeiro de aproximadamente 7,7 milhões de euros, ao abrigo do Regime Contratual de Investimento.

 

Primeira fábrica europeia dedicada à divisão Power Protection

A fábrica receberá a atividade da divisão Power Protection da Hennig, especializada no desenvolvimento de sistemas destinados a assegurar a continuidade do fornecimento de energia em instalações onde uma interrupção pode ter consequências operacionais críticas.

Entre as aplicações previstas encontram-se os data centers, os hospitais, os edifícios públicos e outras infraestruturas de elevada exigência. Segundo a AICEP, esta será a primeira fábrica da empresa na Europa dedicada à produção de equipamentos de grande dimensão para esta área, trabalhando com parceiros internacionais como a Rolls-Royce e a Caterpillar.

A nova unidade terá uma área de construção próxima dos 30 mil metros quadrados e ficará implantada num terreno com aproximadamente 107 mil metros quadrados. A empreitada terá um prazo de execução estimado de 12 meses, estando o início da produção previsto para o princípio de 2028.

Com fábricas na Alemanha, França, República Checa e Bósnia, a Hennig pretende utilizar a operação portuguesa para reforçar a sua capacidade de resposta à procura crescente por equipamentos de proteção e alimentação energética de emergência.

 

Localização facilita abastecimento da Europa

A localização da fábrica foi influenciada pelas condições logísticas oferecidas pela região. A proximidade do nó de Quiaios da A17 e dos portos da Figueira da Foz, Aveiro e Leixões permitirá à empresa abastecer o mercado europeu e, numa fase posterior, expandir as operações para o mercado transatlântico.

Robert Schwaiger, CEO da Hennig Portugal, destacou anteriormente a “excelente localização logística” da região, considerando que a conjugação entre acessibilidades rodoviárias e portuárias permitirá responder de forma mais rápida e eficiente aos mercados de destino.

A empresa prevê que a nova unidade possa atingir uma faturação anual próxima dos 500 milhões de euros quando se encontrar em velocidade de cruzeiro. A fábrica integrará a estratégia de descentralização da produção do grupo e deverá assumir um papel relevante no fornecimento de sistemas de energia de emergência à escala europeia.

O investimento surge num contexto de crescimento da procura por infraestruturas digitais e por soluções que assegurem a respetiva resiliência energética. Os sistemas de alimentação de emergência são componentes críticos dos data centers, uma vez que permitem manter servidores, redes e equipamentos operacionais em caso de falha da rede elétrica.

Para a AICEP, a instalação da Hennig contribui para posicionar Portugal como uma plataforma europeia para o desenvolvimento de soluções energéticas dirigidas a infraestruturas críticas e data centers. O projeto contempla igualmente a qualificação de recursos humanos, estando prevista a criação de um centro de formação próprio e o estabelecimento de parcerias com centros de formação profissional.