A escassez de motoristas de pesados está a agravar-se globalmente. De acordo com a IRU, organização mundial do transporte rodoviário, em 2025, estavam por preencher 2,9 milhões de lugares, o equivalente a 11% da força de trabalho nos 18 mercados analisados. A Europa enfrenta as maiores dificuldades, necessitando de 502 mil camionistas.
Em todos os mercados abrangidos pelo relatório da IRU o cenário piorou face a 2021, o ano de comparação. E a conclusão é que a escassez não se deve apenas a ciclos económicos de curto prazo, mas, sim, a fatores como o envelhecimento da mão de obra, dificuldades no acesso à profissão, falta de infraestruturas adequadas e mudança de expectativas face ao trabalho.
Na Europa e na Austrália, a principal pressão é demográfica. Cerca de dois terços dos operadores europeus relatam que estão a ser obrigados a recusar novos contratos porque não encontram motoristas.
A este propósito, o secretário-geral da IRU, Umberto de Pretto, afirma, citado em comunicado, que, “apesar dos significativos esforços da indústria, a falta de camionistas tornou-se um problema crítico para o transporte rodoviário”, afetando diretamente a capacidade de transporte, o crescimento do negócio e a confiança na cadeia de abastecimento.
Os operadores com menos de 50 funcionários enfrentam uma dificuldade em recrutar motoristas que é seis pontos percentuais maior do que a das grandes empresas. De acordo com a organização, os pequenos operadores com menos de dez empregados representam 98% das empresas do setor na Europa e 79% da força de trabalho.
As mulheres continuam subrepresentadas, respondendo por apenas 4% dos camionistas europeus. Outro dos desafios prende-se com o envelhecimento dos motoristas, sendo que, na Europa, se estima que 660.500 se reformem até 2030.


