O mais recente estudo da Escolha Sustentável sobre Tendências e Hábitos de Sustentabilidade no Consumo, revelou que os consumidores estão mais conscientes quanto às suas decisões de compra, principalmente em relação à economia circular.

82% dos inquiridos já ouviu falar do conceito de economia circular, e identificam as áreas de vestuário (68%), alimentação (56%), tecnologia (47%) e mobiliário (45%) com maior potencial para adoção de práticas circulares.

Aliás, a adoção destas práticas já faz parte da realidade da vida da maioria dos inquiridos. 95% integra, no seu dia a dia, práticas associadas à economia circular, destacando a reutilização de embalagens (80%), reparação de equipamentos (68%) e o aproveitamento de sobras alimentares (67%).

O estudo aponta também uma mudança de paradigma no que diz respeito à reutilização e compra de produtos em segunda mão. 75% dos entrevistados já vendeu, comprou ou trocou artigos usados através de plataformas digitais, enquanto 83% considera que a compra em segunda mão é, hoje, socialmente aceite.

Contudo, apesar desta evolução, ainda existem alguns obstáculos à adoção de hábitos de consumo mais sustentáveis. 65% e 61% indicam a falta de informação clara sobre produtos sustentáveis, e os preços elevados, respetivamente, como as principais barreiras. Ainda assim, 37% declara estar disposto a pagar um preço superior por produtos sustentáveis, e 54% admite fazê-lo dependendo da categoria do produto.

Na decisão de compra, os entrevistados valorizam especialmente a durabilidade dos produtos (75%), a possibilidade de reciclagem (57%) e a origem dos mesmos (53%). Em contrapartida, as áreas de tecnologia (49%) e dos transportes (45%) são aquelas em que os inquiridos sentem maiores dificuldades em adotar comportamentos mais sustentáveis.

O papel das marcas surge como um aspeto central na promoção da economia circular. 97% considera importante que as empresas adotem práticas de economia circular, sendo particularmente valorizadas iniciativas como a disponibilização de produtos reutilizáveis (69%), incentivos à devolução e reutilização de artigos (65%) e a redução de embalagens (61%).

O estudo revela que a economia circular está a deixar de ser encarada apenas como uma tendência para assumir um papel mais importante no futuro do consumo. Mais de metade dos inquiridos (54%) reconhece que estas práticas serão uma necessidade nos próximos anos.