O procurement está a trocar as estratégias individuais por uma execução orientada por sistemas, alinhando a transformação com vista a um futuro em que a inteligência artificial (IA) vai apoiar o processo de decisão em todo o ciclo de compras. Esta foi uma das conclusões da edição de 2026 da Direct Procurement Customer Roundtable, evento anual da SAP que decorre em Walldorf (Alemanha).
No encontro, que reuniu executivos de procurement de várias áreas de negócio, ficou claro que a pressão sobre o procurement direto tem múltiplas origens: a instabilidade geopolítica e a acelerada mudança tecnológica fazem com que seja necessário tomar decisões numa fase mais precoce do ciclo de vida do produto, precisamente quando as organizações estão menos preparadas para agir.
Ao mesmo tempo, verifica-se que o conhecimento institucional se perde rapidamente enquanto os sistemas se modernizam de uma forma acelerada. Os profissionais mais experientes estão a reformar-se e os sistemas desenhados para os substituir ainda não estão prontos.
O resultado – segundo se concluiu neste encontro – é um modelo operacional que impede os responsáveis de procurement de influenciarem o valor nos momentos mais relevantes. Muitos dos clientes da SAP descreveram que lidam ativamente com uma tensão gerada pelo facto de o processo de fornecimento estar a ser integrado no design e no desenvolvimento, mas as ferramentas e os processos para suportarem este movimento ainda estão ancorados nas etapas subsequentes.
Integração de sistemas precisa-se
Muitas das empresas presentes descreveram que o fornecimento de matérias-primas diretas continua fragmentado: compradores e fornecedores continuam a interagir através de e-mail, ferramentas locais e aplicações desconetadas, com grande dependência de um pequeno número de profissionais experientes e com múltiplos ERP a funcionar em paralelo, com grande parte do fornecimento direto a operar à margem de todos eles. Neste contexto, uma concluao gsão emergiu: é que não há um único elo digital que ligue todas as etapas de procurement.
Da discussão surgiu um outro tema comum: a antecipação do processo de procurement para a fase de desenvolvimento de produto, por oposição a reagir após as decisões de design já estarem tomadas.
Entre os desafios, foi ainda identificada a necessidade de reduzir a dependência de fornecedores únicos, assentes nas relações interpessoais. Do mesmo modo, as empresas apontaram que a volatilidade dos preços deixou de ser episódica e passou a estrutural, obrigando a uma gestão sistemática.
O caminho pareceu consensual, mas, segundo a SAP, a maioria das organizações ainda não possui a estrutura necessária para lhe dar seguimento.
Desse caminho faz parte a IA, muito embora os profissionais presentes em Walldorf tenham convergido na opinião de que esta ferramenta importa, mas apenas se o essencial estiver resolvido. É preciso, antes, que haja processos claros e dados consistentes. Pois, sem um fio condutor digital unificado, que abranja o design de produto, o fornecimento, a contratação e a execução, a IA não gera conhecimento, amplifica o ruído.


