A Associação Portuguesa de Operadores Logísticos critica a proibição de circulação de veículos pesados na circular urbana do Cartaxo e defende a suspensão imediata da medida, alertando para impactos económicos, operacionais e ambientais numa das zonas mais críticas da cadeia de abastecimento nacional.

A Associação Portuguesa de Operadores Logísticos (APOL) manifestou “profunda preocupação” com a decisão da Câmara Municipal do Cartaxo de proibir a circulação de veículos pesados na circular urbana do concelho, medida com efeitos a partir de 1 de junho.

Segundo a associação, a decisão surge num contexto já identificado como crítico: o estrangulamento do principal hub logístico nacional, situado entre Azambuja e Carregado, cuja atividade depende quase exclusivamente da Estrada Nacional 3. A APOL sublinha que a ausência de acessos alternativos estruturais tem sido alvo de alertas sucessivos por parte do setor, sem que tenham sido encontradas soluções.

Para a associação, a medida agora anunciada poderá agravar de forma significativa os constrangimentos já existentes, introduzindo novas limitações operacionais sem que sejam conhecidas alternativas viáveis ou estudos de impacto que permitam avaliar as consequências económicas, logísticas e ambientais.

“Estamos a falar de um dos mais importantes centros logísticos do país, responsável por assegurar fluxos essenciais de abastecimento à economia nacional. Não é aceitável agravar constrangimentos já existentes sem diálogo com o setor e sem uma avaliação rigorosa dos impactos operacionais, económicos e ambientais de uma decisão desta natureza”, afirma Vítor Figueiredo, presidente do Conselho Diretivo da APOL.

A associação considera particularmente preocupante a ausência de auscultação prévia dos operadores logísticos e dos agentes económicos diretamente afetados, bem como a inexistência de estudos de impacto económico e operacional. A APOL critica ainda o reduzido prazo de implementação da medida, com apenas alguns dias entre o anúncio e a entrada em vigor, e a falta de alternativas de circulação adequadas, tanto para veículos pesados como para os trabalhadores que diariamente acedem às plataformas logísticas da região.

A APOL aponta ainda uma contradição na forma como vários municípios da região têm vindo a incentivar a instalação de unidades logísticas e industriais nos seus territórios sem garantir condições mínimas de acessibilidade, impondo agora restrições adicionais à circulação dos veículos essenciais ao funcionamento dessas atividades.

A zona entre Azambuja e Carregado é considerada estratégica para a cadeia de abastecimento nacional, suportando operações críticas de retalho, indústria e distribuição. Para a APOL, qualquer perturbação relevante na operação poderá traduzir-se no aumento dos custos logísticos e operacionais, na perda de eficiência e fiabilidade dos fluxos de abastecimento, no agravamento das emissões devido a percursos alternativos mais longos e, em última instância, em impactos na competitividade da economia nacional e no preço final ao consumidor.

Neste contexto, defende a suspensão imediata da medida, de forma a permitir uma avaliação técnica rigorosa das suas implicações. A associação reclama ainda a realização urgente de estudos de impacto independentes, que integrem as dimensões económica, ambiental e operacional, bem como a abertura de um processo estruturado de diálogo entre autarquias, operadores logísticos, transportadores, distribuidores e restantes agentes envolvidos.

A associação preconiza também a identificação de soluções alternativas sustentáveis, nomeadamente ao nível das acessibilidades rodoviárias estruturantes para a região, reafirmando a sua disponibilidade para colaborar com as entidades públicas na construção de respostas que conciliem a qualidade de vida das populações locais com a salvaguarda da atividade económica e logística.