Porto Lisboa-Setúbal atribuiu à IBEROL os títulos de uso privativo das duas pontes-cais do Terminal de Granéis Alimentares de Alhandra. O projeto prevê a modernização das infraestruturas, o aumento da capacidade de armazenagem, a automatização das operações e a criação de um hub logístico ligado à bioeconomia e à produção de biocombustíveis.

O Porto Lisboa-Setúbal atribuiu à IBEROL – Sociedade Ibérica de Biocombustíveis e Oleaginosas, S.A. os títulos de uso privativo relativos às duas pontes-cais do Terminal de Granéis Alimentares de Alhandra, no concelho de Vila Franca de Xira. A formalização decorreu hoje, 1 de junho, entre as duas partes, na sequência de um procedimento concursal sem manifestação de interesse de terceiros e com parecer favorável da Autoridade Marítima Nacional.

A parcela localizada a jusante, na Quinta da Figueira, será atribuída em regime de concessão de uso privativo por 40 anos. Já a parcela localizada a montante, na Quinta da Hortinha, será atribuída em regime de licença de uso privativo por dez anos. Em ambos os casos, os títulos são atribuídos ao abrigo da legislação aplicável aos recursos hídricos.

O projeto da IBEROL prevê um conjunto de investimentos destinados à modernização das infraestruturas do Terminal de Granéis Alimentares de Alhandra, ao reforço da sua capacidade operacional e à promoção de soluções mais sustentáveis para a movimentação e armazenagem de matérias-primas agroalimentares.

Entre as intervenções previstas está a requalificação da ponte-cais da Quinta da Figueira, através do reforço estrutural da infraestrutura e da instalação de novos equipamentos de descarga. O objetivo é permitir operações com grua flutuante até 600 toneladas por hora.

O investimento contempla também o aumento da capacidade de armazenagem em mais de 50 mil toneladas, através da construção de novos armazéns ou silos, bem como a implementação de sistemas automatizados para aumentar a eficiência das operações logísticas.

Está ainda prevista a automatização dos silos existentes, com sistemas de controlo de temperatura e humidade, ventilação e otimização dos processos de descarga, reforçando a capacidade, a segurança e a fiabilidade das operações.

No domínio energético, o projeto inclui a instalação de um parque fotovoltaico com potência de 1.159 kWp, destinado ao autoconsumo do futuro hub logístico e da unidade industrial associada.

Bioeconomia, biocombustíveis e transferência modal

Segundo o Porto Lisboa-Setúbal, o projeto assume relevância estratégica no contexto da transição energética e da descarbonização dos transportes, ao reforçar a capacidade logística nacional de receção, armazenagem e distribuição de matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis.

A instalação deverá contribuir para o abastecimento sustentável das cadeias agroindustriais e energéticas, bem como para o desenvolvimento da bioeconomia, em linha com os objetivos nacionais e europeus de redução das emissões de gases com efeito de estufa e de promoção de combustíveis renováveis.

O investimento é também apresentado como um contributo para a criação de um centro de distribuição de matérias-primas agroalimentares, reforçando a competitividade do Porto de Lisboa e promovendo uma maior utilização do transporte marítimo e fluvial nas cadeias de abastecimento.

A transferência modal da rodovia para a via fluvial permitirá, segundo a administração portuária, reduzir a pressão sobre a rede viária envolvente e diminuir as emissões associadas ao transporte de mercadorias.

Para Vítor Caldeirinha, presidente do Porto Lisboa-Setúbal, “este investimento reforça simultaneamente três objetivos estratégicos: o aumento da competitividade logística do Porto de Lisboa e retirar camiões das estradas, a consolidação de um polo agroindustrial de referência nacional e o apoio à descarbonização da economia através do reforço da cadeia logística dos biocombustíveis e de outras soluções energéticas sustentáveis a partir das oleaginosas”.

O responsável sublinha ainda que, “do ponto de vista institucional, é importante associar este investimento não ao setor agroalimentar, mas à bioeconomia e economia circular, à produção de biocombustíveis, à descarbonização dos transportes marítimos e terrestres e aos objetivos do Pacto Ecológico Europeu e da transição energética”.