Episódio zero do SupplyConnect by Conexus, podcast em parceria com a Coupa e a Supply Chain Magazine como media partner, lança uma nova série de conversas sobre procurement, supply chain e operações. Na estreia, Diogo Carneiro e Miguel Marques discutem o paradoxo da transformação digital, a pressão geopolítica, o papel da IA e a necessidade de modelos de consultoria mais orientados para resultados.
A tecnologia entrou nas áreas de procurement, supply chain e operações, mas o valor prometido pela digitalização continua, em muitos casos, por materializar. É este o paradoxo que abre o episódio zero do SupplyConnect by Conexus, nova série de podcasts promovida pela Conexus, em parceria com a Coupa e a Supply Chain Magazine, que assume o papel de media partner.
No episódio de estreia, Diogo Carneiro, CEO da Conexus Supply, conversa com Miguel Marques sobre o futuro destas funções nas empresas, num contexto marcado por instabilidade geopolítica, pressão sobre as cadeias de abastecimento, novas exigências regulatórias e aceleração tecnológica. A própria Conexus apresenta o episódio como uma conversa de 55 minutos sobre o estado real do procurement e da supply chain, partindo de uma constatação direta: há sistemas implementados, consultoras contratadas e dashboards construídos, mas o valor de negócio nem sempre aparece.
O paradoxo da digitalização
A conversa parte de uma ideia central: muitas empresas já investiram milhões em tecnologia, mas continuam a não extrair dela o impacto esperado. O problema, segundo a abordagem discutida neste episódio, mais do que estar nas ferramentas, assenta também na forma como as organizações estão preparadas, ou não, para as utilizar.
Processos pouco claros, dados dispersos, resistência cultural, falta de alinhamento interno e modelos de decisão ainda muito dependentes da intuição acabam por limitar o retorno dos investimentos digitais. A digitalização, nesta leitura, não é apenas uma questão de implementar software. É uma mudança de modelo operativo.
Este ponto ganha particular relevância porque procurement e supply chain deixaram de ser áreas meramente transacionais e estão no centro de decisões sobre risco, continuidade, custo, resiliência, fornecedores, abastecimento e exposição geográfica. A tecnologia pode acelerar essa mudança, mas não substitui maturidade organizacional.
A instabilidade geopolítica surge nesta conversa como uma das principais pressões sobre as empresas portuguesas. Num ambiente em que tarifas, disrupções logísticas, volatilidade de preços e tensões internacionais condicionam decisões de compra e abastecimento, torna-se mais importante diversificar fornecedores e aumentar a visibilidade sobre as opções disponíveis no mercado.
A conversa sublinha que o sourcing já não pode ser encarado apenas como uma procura pelo melhor preço. A disponibilidade, a localização, a capacidade de resposta, o risco regulatório e a exposição a determinados mercados passaram a pesar mais na decisão.
Segundo é referido, cerca de um terço das PME portuguesas terá alterado fornecedores estratégicos no último ano, sinal de uma postura mais ativa na gestão do risco e na procura de alternativas. O dado reforça uma mudança que já se sente em muitas empresas: a gestão de fornecedores está a deixar de ser apenas uma dimensão operacional para passar a fazer parte da resposta estratégica à incerteza.
O gatilho para a transformação
Outro ponto relevante da conversa é a forma como as exigências regulatórias da União Europeia são interpretadas. Em vez de serem vistas apenas como um peso administrativo, podem funcionar como um gatilho para acelerar investimento em automação, rastreabilidade e controlo.
Num mercado em que a conformidade regulatória é cada vez mais exigente, as empresas precisam de saber de onde vêm os produtos, como circulam, que fornecedores estão envolvidos e que riscos existem ao longo da cadeia. A rastreabilidade deixa, assim, de ser apenas uma obrigação documental para passar a ser uma infraestrutura de decisão.
A automação entra neste contexto não como uma promessa futurista, mas como resposta prática à necessidade de maior controlo, menor erro, melhor qualidade de dados e capacidade de reação.
A inteligência artificial é outro dos temas fortes do episódio. A leitura deixada por Diogo Carneiro é que o potencial da IA está ainda subutilizado nas áreas de procurement, supply chain e operações. A tecnologia já permite apoiar análise de despesa, identificar padrões, sugerir alternativas, antecipar riscos, comparar cenários e acelerar tarefas que continuam demasiado manuais.
Mas, mais uma vez, a conversa evita a ideia de que a IA resolve tudo sozinha. Sem dados fiáveis, processos bem definidos e governação, a tecnologia pode apenas tornar mais rápida uma decisão mal fundamentada.
É neste ponto que surge a defesa de uma abordagem human-in-the-loop, em que especialistas seniores continuam a validar as recomendações e ações sugeridas por agentes de IA. O objetivo não é retirar o humano da decisão, mas antes garantir que a inteligência artificial opera com supervisão, critério e responsabilidade.
A parceria da Conexus com a Coupa é também enquadrada nesta lógica. A plataforma da Coupa permite aceder a uma base global de benchmarking, suportada por um volume de transações que ronda os oito biliões de dólares, criando condições para comparar práticas, identificar oportunidades e apoiar decisões com base em dados agregados.
Velocidade de diagnóstico e foco em resultados
O episódio aborda ainda o modelo de atuação da Conexus, que assenta num diagnóstico de 10 dias com base em dados reais, e não apenas em entrevistas ou perceções internas. A proposta é identificar rapidamente oportunidades de melhoria com impacto prático, reduzindo o tempo entre análise e execução.
Esta abordagem liga-se a uma crítica mais ampla ao modelo tradicional de consultoria. Em vez de projetos longos, centrados em recomendações e apresentações finais, a conversa aponta para modelos mais orientados para resultados tangíveis, com maior partilha de risco entre consultora e cliente.
Mais do que uma conversa sobre ferramentas, o episódio zero do SupplyConnect coloca a digitalização no terreno das decisões. A questão já não é apenas saber que tecnologia existe, mas que problemas concretos resolve, que valor cria e que capacidade tem a organização para a absorver.
Procurement, supply chain e operações aparecem, assim, como áreas onde a transformação digital só será relevante se estiver ligada a resultados mensuráveis. Ou seja, melhor sourcing, maior visibilidade, menor risco, mais eficiência, maior rastreabilidade e decisões mais rápidas.
O paradoxo está precisamente aí. Nunca houve tanta tecnologia disponível para estas funções. Mas, sem dados, governação, cultura e foco no valor, a digitalização pode continuar a produzir mais dashboards do que decisões.
Um podcast para acompanhar a transformação do setor
O episódio zero marca o arranque do SupplyConnect by Conexus e, no final da conversa, Diogo Carneiro, que passará a assumir o papel de anfitrião da série, levanta já a ponta do véu sobre o que aí vem. O primeiro convidado será João Baptista, responsável da Coupa para Portugal e Espanha, num episódio que dará continuidade à reflexão sobre a forma como a tecnologia pode sair do plano conceptual e contribuir para ganhos concretos nas organizações.
Nos episódios seguintes, a série contará com outros convidados ligados às áreas de procurement, supply chain e operações, sempre a partir de três grandes dimensões: olhar para as principais tendências e para aquilo que está a acontecer no contexto atual destas funções; perceber, na realidade de cada convidado e da sua empresa, como esses desafios estão a ser sentidos, enfrentados e transformados em resultados; e aprofundar processos mais específicos dentro destas áreas, muitas vezes decisivos para a competitividade das organizações.
A ambição é trazer para a conversa uma visão prática, aplicável tanto a PME como a grandes empresas, sobre o que pode começar a ser feito de forma diferente para gerar melhores decisões, maior eficiência e resultados mais tangíveis. Fique ligado e não perca os próximos episódios.
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