É entre o planeamento e a flexibilidade que se constrói o equilíbrio da nova supply chain. Porque o caos gerado por eventos como a pandemia, a guerra, o “apagão” e as tempestades tem minado os alicerces do controlo. Foi nesta visão que convergiram Susana Pinho (Altri), Nuno Jacinto (Makro), Pedro Camilo (Lactogal) e Daniel Baptista (Cegid) na última mesa redonda do primeiro dia da SCM Conference, conduzida por Pedro Pinto Barros (PwC).

Enquadrando o tema deste debate que herdou o título da própria conferência – “Entre o caos e o controlo: a nova supply chain” –, o moderador começou por evocar tópicos que, tradicionalmente, fazem parte das decisões de gestão: planear melhor, otimizar, reduzir o desperdício. Temas que – ressalvou – continuam a ser relevantes, ainda que a realidade recente tenha vindo a pôr à prova o planeamento. Basta recuar ao apagão de 2025, “um soco no estômago metafórico”, para se perceber como o controlo pode ser uma miragem.

Gerir a imprevisibilidade é cada vez mais a questão. E isso mesmo exemplificou a Logistics director da Altri, Susana Pinho, partilhando como a tempestade Kristin, que devastou a região centro na noite de 27 para 28 de janeiro último, baralhou todos os planos da empresa industrial produtora de fibra celulósica. As três fábricas – localizadas na Figueira da Foz, em Vila Velha de Rodão e em Castelo Branco – foram afetadas com poucas horas de intervalo, obrigando a repensar toda a operação na manhã seguinte. E, sem recurso a tecnologia, porquanto não havia eletricidade nem internet. “Tivemos de decidir sem base em nenhum sistema, recorrendo ao nosso conhecimento, à nossa experiência, à formação das nossas equipas”, comentou. A decisão assentou, pois, na intuição e na experiência, mas também colocou em evidência a relevância de trabalhar com parceiros locais diversificados.

E, embora os custos fossem relevantes, servir os clientes foi a prioridade, com o objetivo de evitar que as suas unidades produtivas fossem afetadas por inexistência de matéria-prima fornecida pela Altri. “A verdade é que não houve nenhum cliente que tivesse tido de parar a fábrica”, comentou a diretora de logística, dando conta de uma lição aprendida com esta situação: “Estar preparado é importante e o planeamento também, mas é meramente uma referência. Devemos ter sempre um plano A, B e C.”

 

(em atualização)