“Smart, Fast, Connected: as novas cadeias de abastecimento” foi o tema que deu vida a um momento de particular dinâmica na SCM Conference 2026. Foram apresentados casos práticos de aplicações de tecnologia, seguidos de debate e análise, com moderação de João Queirós, senior manager supply chain & operations da EY.
As intervenções, protagonizadas por António Guedes, Business consultant da CodeOne, John Callan, Business development Iberia da Codeone, Fábio Santos, National Business Development manager da Modula, Torben Lund, CEO da SpaceInvader, Pedro Ferreira Queimado, fundador da KronoLog Solutions, e Carlos Oliveira, chief technology officer da Netcapital Systems, centraram-se na importância dos dados, da colaboração, da Inteligência Artificial, de automação, de otimização e dos pagamentos a fornecedores.
Quanto à importância dos dados, mesmo existindo mais e melhor informação, ainda se tomam más decisões. Será que os dados resolvem tudo? António Guedes explicava que é preciso definir o objetivo que a operação se propõe a melhorar. E depois é preciso fazer uma engenharia inversa (processo de desconstruir algo para entender como funciona), o que, segundo o responsável, não é fácil, pois podem até nem se encontrar algoritmos.
Fábio Santos foi confrontado com a mesma questão, mas em relação à automação: quando não se justifica automatizar? “Quando as pessoas/empresas não estão preparadas para isso”, referia. Pode ser a nível de recursos humanos, ou mesmo do mindset. Isto porque uma das piores consequências é que a implementação seja insatisfatória, tanto para a empresa, como para o fornecedor do serviço.
Algo inevitável à implementação de tecnologia é a mudança de mentalidade, e há empresas que ainda são conservadoras quanto a esta matéria, como referia Torbin Lund. É preciso demonstrar as potencialidades da tecnologia, e o quão eficientes poderão ser essas ferramentas. “Quando queremos resolver algo, temos tendência a complicar tudo”, afirmava. Na sua perspetiva, basta envolver todas as partes da empresa, desde o procurement, às finanças. Ficou claro que as empresas devem encarar a tecnologia como um aliado, e não um inimigo.
Um outro tema que marcou este painel prende-se com os atrasos nos pagamentos a fornecedores, algo que tem um efeito dominó em toda a cadeia de abastecimento. Carlos Oliveira concretizou que, se estes atrasos fossem resolvidos por si só, acrescentava-se 4% ao PIB português. Este problema, de acordo com o responsável, está relacionado com a cultura financeira que é promovida nas empresas.
A tecnologia já não é um mero agregador, já faz parte dos negócios. No entanto, o sucesso desta transformação não reside apenas nos algoritmos, mas na capacidade de alinhar a inovação com uma mudança de mentalidade cultural e financeira. O futuro da supply chain depende de boas decisões sobre a aplicação da tecnologia, tratando-a como um aliado estratégico fundamental para colher os frutos de uma operação resiliente, eficiente e verdadeiramente conectada.



