O Grupo Forvia, que resulta da fusão entre a Faurecia e a Hella, está a desviar a produção de fábricas da Europa para unidades em Portugal, avança o ECO.
A maioria da produção está a ser transferida para Bragança, onde a gigante do setor automóvel desenvolve sistemas de escape, numa altura em que está a rever a estratégia de eletrificação.
Em entrevista ao ECO, António Fernandes, OES Industrial & PC&L manager na Forvia Faurecia, indica que havia fábricas preparadas para eletrificação, e outras para outro tipo de tecnologias, mas que o movimento de mudança para os elétricos “não está a acontecer”. “O que estamos a fazer é redirecionar algum tipo de tecnologia para termos concentrada [a produção] e assim sermos mais eficientes no processo produtivo.
Segundo o responsável, a fábrica de Bragança é uma das unidades que “está a ganhar produção porque está focada no sistema de escape, que não estava previsto estar nesta fase a este volume, mas que é uma oportunidade”.
O foco da empresa, que trabalha para o setor automóvel, é manter a produtividade e que, por isso, é importante a simplificação e reutilização de processos, tentar ser o mais eficiente possível, tanto a nível de recursos humanos, como a nível de equipamentos, máquinas e transportes, de acordo com António Fernandes. “Há todo um fluxo que está desde os nossos fornecedores overseas, que é a China e a Índia, para com o nosso cliente que está situado no meio da Europa, em que nós, em cada um dos pontos, temos de otimizar ao máximo, tanto o stock, matéria, recursos, mão de obra, recursos a nível de transportes e tudo o que está associado”, complementa.
Para facilitar o processo, a empresa recorre a armazéns avançados, nos quais tem stock de componentes – que faz parte do fornecedor – para durar entre duas a quatro semanas. Esse stock faz parte da empresa somente quando é enviado para as suas fábricas. “Uma vez que estamos a falar de 12 a 14 semanas de tempo de trânsito de barco, que pode ter algum impacto, o fornecedor tem essa possibilidade. É responsabilidade do fornecedor assegurar que essas duas ou quatro semanas estão asseguradas”, reforça.
Quando existem ruturas, a empresa opta pelo comboio, que demora cerca de oito semanas, ou avião, que leva entre uma ou duas semanas a conseguir o material. No entanto, no caso do avião, o custo aumenta entre 300 a 400%. “Tentamos evitar, mas em algumas situações temos de o fazer, porque se falharmos com a entrega ao cliente, o custo é completamente exorbitante. Estamos a falar de seis a sete mil euros por minuto. É o custo de penalização que temos se não conseguimos entregar as peças aos nossos clientes”, conclui António Fernandes.



