A SCM Conference regressa nos dias 5 e 6 de maio, na Quinta do Frade, em Sobral de Monte Agraço, e volta a colocar o procurement no centro das decisões estratégicas. No segundo dia, uma mesa redonda dedicada ao tema “Comprar num mundo instável: o procurement como gestor de incertezas” junta líderes da área para discutir como se tomam decisões de compra num contexto marcado por risco, volatilidade e pressão sobre a continuidade do negócio.

Num cenário em que a supply chain opera sob tensão permanente, o procurement deixou definitivamente de ser uma função transacional para assumir um papel central na gestão do risco. A mesa redonda, agendada para as 10h40 do dia 6, parte precisamente dessa transformação: comprar hoje é, acima de tudo, decidir sob incerteza.

Entre oscilações de preços, dependências críticas e cadeias de abastecimento mais expostas, os profissionais de procurement enfrentam escolhas cada vez mais exigentes. Eficiência ou resiliência? Diversificação ou concentração? Custo imediato ou continuidade operacional? Não há respostas universais, apenas decisões contextualizadas, muitas vezes tomadas com informação incompleta.

Com a participação de Roberta Rodrigues (Head of Strategic Procurement EMEA, The Walt Disney Company), David Viana (Head of Procurement & Supply Chain, Aquapor) e Cláudia Branco (Procurement Director, Grupo Manuel Champalimaud), esta conversa promete sair do plano teórico. A moderação estará a cargo de Filipe Perdigão Costa, Senior Manager Business Consulting da Deloitte.

Mais do que partilha de boas práticas, o objetivo é expor o lado menos visível do procurement: os trade-offs reais, as decisões difíceis e a forma como as organizações estão a equilibrar risco, custo e continuidade.

Uma conferência sobre decisões, não sobre certezas

A mesa redonda de procurement insere-se num programa que assume, desde o primeiro momento, o mote da edição de 2026: “Entre o Caos e o Controlo: A Nova Supply Chain”.

A abertura da conferência, no dia 5 às 15h15, estará a cargo de Cristian Ferreyra, do Council of Supply Chain Management Professionals (Spain Roundtable), com a keynote “Fragmented World, Strategic Choices: What’s Next for Europe’s Supply Chains?”. Um arranque que coloca a fragmentação geopolítica no centro da discussão e ajuda a enquadrar as decisões que as empresas enfrentam no terreno.

Ainda nesse dia, às 16h55, o debate “Entre o caos e o controlo: a nova Supply Chain” propõe um confronto direto de perspetivas. Com Daniel Baptista (Cegid), Nuno Jacinto (Makro), Guilherme Pereira (Lactogal) e Susana Pinho (Altri), sob moderação de Pedro Pinto Barros (PwC), o objetivo não é procurar consensos, mas expor tensões reais: até onde vai o controlo e onde começa o inevitável?

O dia termina com uma abordagem fora do registo habitual. Em “Histórias Simples de Logística: As que não estão nos livros”, Vítor Costa traz para o palco um conjunto de experiências que escapam aos modelos e aos dashboards, mas que ajudam a compreender melhor a realidade da operação.

Do enquadramento global à decisão operacional

O segundo dia arranca com uma leitura macro do contexto internacional. Às 09h30, Tiago Devesa, Senior Fellow do McKinsey Global Institute, apresenta a atualização de 2026 do estudo “Geopolitics and the Geometry of Global Trade”, estabelecendo a ponte entre o que está a acontecer no mundo e as decisões que as empresas têm de tomar.

É neste enquadramento que a discussão sobre procurement ganha ainda mais relevância. Porque se a geopolítica redefine regras e fluxos, são as decisões de compra que, muitas vezes, determinam a capacidade de resposta das organizações.

Mas a SCM Conference não se esgota no palco. No final do primeiro dia, o cocktail powered by Smartlog (18h15) e o Supply Chain Dinner powered by Savills (19h45) criam espaço para aquilo que muitas vezes não cabe nas apresentações: conversas diretas, troca de experiências e ligação entre pares que enfrentam desafios semelhantes no terreno. Num setor onde as decisões são cada vez mais complexas, essa proximidade torna-se, também ela, uma vantagem competitiva.

Com algumas intervenções ainda por revelar, a SCM Conference reforça assim o seu posicionamento: mais do que acompanhar tendências, trata-se de discutir decisões e de as colocar em perspetiva com quem está do outro lado.

As inscrições continuam abertas, mas os lugares são limitados.