A gestão das cadeias de abastecimento é, hoje, uma tarefa difícil marcada pelo contexto volátil do mundo em que viemos. António Louro, estudante de Gestão Industrial e Logística do ISCTE-IUL, identifica as vulnerabilidades causadas pela volatilidade geopolítica e ambiental e explica de que forma a análise de dados e Inteligência Artificial podem ser determinantes para transformar custos operacionais em investimentos verdes, e sustentar o futuro da logística.
O futuro da logística está a ser desenhado num cenário de volatilidade sem precedentes. A resiliência das cadeias de abastecimento deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar num requisito básico.
Recentemente, num evento promovido pelo NAGIL – ISCTE, ouvi um representante do Grupo Sousa expor estes números com uma clareza desarmante. O setor marítimo mundial produz 2% das emissões globais de carbono. Eliminá-las através de combustíveis verdes e motores mais eficientes custaria 20% mais em operações. A pergunta que ficou no ar é simples, mas incómoda: estamos dispostos a pagar o preço da sustentabilidade?
Este dilema surge num contexto de pressão acumulada. As cadeias de abastecimento globais têm sido testadas consecutivamente ao longo deste ano pelos conflitos no Médio Oriente, pela volatilidade dos combustíveis e pelos eventos climáticos extremos que, especialmente em Portugal depois do “comboio de tempestades”, tiveram um efeito profundo nas cadeias de abastecimento. Em conversa com representantes da DHL Supply Chain no Podcast NEXT do Alumni Club ISCTE, ficou claro que estas crises produziram um efeito inesperado: obrigaram o setor a desenvolver uma agilidade que contradiz a sua imagem tradicional de rigidez, mostrando que as cadeias de abastecimento são mais flexíveis do que se pensava.
A resposta a este desafio passa, em grande parte, pelos dados. As análises avançadas e detalhadas de dados em sintonia com a utilização correta da Inteligência Artificial permitem encontrar eficiências escondidas que tornam o investimento em resiliência e sustentabilidade das supply chain mais viável financeiramente. A otimização de rotas, a gestão preditiva de stocks e a coordenação entre modos de transporte podem reduzir custos operacionais de forma incremental, e é nessa margem recuperada por otimizarmos outras partes da logística que o investimento em cadeias de abastecimento mais verdes e mais resilientes se começa a justificar.
O papel do gestor logístico será usar a tecnologia para transformar essa diferença entre custo e benefício num investimento com retorno. O desafio de equilibrar o impacto das alterações climáticas com a viabilidade económica é o que define a nossa geração de futuros profissionais de logística.
António Louro, estudante de Gestão Industrial e Logística | ISCTE-IUL



