Os dados globais do Barómetro da Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital (AGEFE) revelam que a indústria eletrodigital nacional antecipa um contexto económico exigente para este ano, marcado por pressão nos custos, expectativas de inflação acima do previsto e constrangimentos nas cadeias de abastecimento.
A maioria das empresas indicam que a incerteza internacional continua a marcar o ambiente de negócio, em que (98%) destacam a situação global como uma preocupação, a par das cadeias logísticas (63%), e da pressão da concorrência e transformação dos modelos de negócio (50%).
No que diz respeito à economia, as expectativas de inflação mantêm-se altas. 88% antecipa uma inflação acima das projeções, e 63% prevê que os preços do setor ultrapassem os valores inflacionados, refletindo uma pressão acumulada na estrutura de custos.
A este nível, a área da logística surge como o principal fator de aumento de custos, com 98% das empresas a anteciparem subidas, seguida de 84% que destacam os custos das mercadorias e matérias-primas, e 70% a identificar os custos financeiros.
Além disso, as cadeias de abastecimento mantêm-se sob pressão, uma vez que 79% das empresas antecipam atrasos nas entregas, enquanto 60% prevêem escassez de componentes e matérias-primas, e 28% apontam para risco de falta de produtos acabados.
A nível estrutural, o setor antecipa ajustes nas cadeias de valor globais, com 41% das empresas a preverem processos de reorganização, 36% a destacarem medidas de mitigação de risco, e 18% a estimar aceleração de transformações em curso.
Apesar deste cenário, Daniel Ribeiro, diretor geral da AGEFE, mantém-se positivo para o futuro do setor. “Vivemos um momento exigente, mas não de retração. A indústria eletrodigital continua a ser um pilar essencial na transição para uma economia mais digital, sustentável e competitiva”.



