A supply chain deixou definitivamente de ser um tema operacional. Hoje, é um campo de decisão estratégica onde se cruzam risco, crescimento, dependência e vantagem competitiva. É precisamente neste ponto de tensão que se posiciona a SCM Conference 2026, que regressa nos dias 5 e 6 de maio, desta vez na Quinta do Frade, sob o mote “Entre o Caos e o Controlo: A Nova Supply Chain”. A tarde do primeiro dia começa exatamente aí: nas decisões que já não podem ser adiadas.
Mais do que um evento de partilha, a conferência assume-se como um espaço de leitura do momento atual. Num contexto marcado por fragmentação geopolítica, pressão regulatória, volatilidade nos fluxos e crescente complexidade das redes logísticas, a questão já não é apenas como gerir cadeias de abastecimento, mas como tomar decisões dentro delas.
Ao longo de um dia e meio, a proposta é clara: sair do discurso genérico e entrar no território das escolhas difíceis. Não para procurar consensos fáceis, mas para expor as tensões reais que estão a moldar a nova arquitetura das supply chains. A tarde do dia 5 de maio funciona como ponto de partida dessa reflexão.
A sessão de abertura dá lugar a uma keynote que coloca desde logo o enquadramento geoestratégico no centro da discussão. Cristian Ferreyra, Logistics Director da Elogia & Board Member do CSCMP – Roundtable Spain, propõe uma leitura da Europa num mundo fragmentado, onde as cadeias de abastecimento são simultaneamente instrumento de competitividade e de resiliência. A questão de fundo é direta: que escolhas estratégicas estão a ser feitas num contexto em que a eficiência já não é o único critério?
É a partir daqui que a discussão entra num plano mais executivo. A executive roundtable “A Supply Chain na Agenda dos CEO”, moderada por Joaquim Oliveira, da BOSC – Business of Supply Chain e que conta, entre outros, com a participação de Andrea Nunes, do Grupo Wellow e Miguel Pinto, Country Head Portugal da Aumovio parte de uma constatação que deixou de ser teórica: a supply chain subiu ao topo das prioridades das lideranças. Mas o que significa isso na prática?
Ao reunir responsáveis com diferentes enquadramentos setoriais, esta conversa procura ir além da narrativa habitual. Em causa está perceber até que ponto esta centralidade é estrutural ou conjuntural, que tipo de decisões estão a ser influenciadas pela supply chain e que trade-offs estão efetivamente a ser assumidos. Entre custo e resiliência, entre proximidade e escala, entre controlo e flexibilidade, a supply chain deixa de ser apenas uma função para se tornar um eixo de decisão, transversal à organização.
Este momento ganha particular relevância num contexto em que muitas empresas ainda estão a ajustar-se ao novo equilíbrio. A pandemia, a instabilidade geopolítica e as disrupções sucessivas trouxeram a supply chain para a agenda dos CEO, mas a maturidade dessa integração continua a ser desigual. É precisamente essa diferença de leitura e de ação que a mesa redonda pretende expor.
Depois de uma breve pausa, o programa introduz um elemento quantitativo com a apresentação do Barómetro de Produtividade, pela Adecco. Mais do que um retrato, este momento funciona como um ponto de ancoragem para a discussão seguinte, trazendo dados concretos sobre desempenho, eficiência e desafios operacionais num contexto de crescente pressão sobre as organizações.
É, no entanto, com o debate “Entre o caos e o controlo: a nova Supply Chain” e com a ajuda de Pedro Pinto de Barros da PwC como moderador, que o primeiro dia atinge o seu momento mais crítico.
Aqui, o objetivo não é alinhar boas práticas nem construir uma narrativa confortável. Pelo contrário, trata-se de expor as contradições que definem a gestão das cadeias de abastecimento hoje. Até que ponto é possível controlar sistemas cada vez mais interdependentes? Onde é que o caos deixa de ser uma falha e passa a ser uma condição inevitável, ou até necessária? E que decisões estão, na prática, a separar organizações que lideram daquelas que apenas reagem?
Ao trazer para a mesma conversa experiências concretas e perspetivas distintas, o debate assume-se como um espaço de confronto de posições. Não há respostas únicas, mas há escolhas que têm de ser feitas, muitas vezes com informação incompleta e sob pressão. É que, na verdade, nesse território que a nova supply chain se define.
Gerir já não chega
O dia encerra com uma mudança de registo, mas não de exigência. “Histórias Simples de Logística: As que não estão nos livros” não é uma talk convencional, nem pretende ser. É um convite a olhar para aquilo que a supply chain raramente mede, mas que muitas vezes explica tudo.
“Entre o caos e o solo” é o ponto de partida. E a pergunta surge quase inevitável: o que faz um agricultor numa conferência de supply chain? Vítor Costa traz consigo mais de quatro décadas de experiência em vendas, logística e liderança. Conhece bem o ritmo da indústria, a pressão dos resultados, a lógica da aceleração. Mas nos últimos anos trocou esse ambiente por um outro, aparentemente distante: uma quinta biológica perto de Viseu. Foi aí que começou a questionar o que antes parecia adquirido. Entre ciclos, tempo e regeneração, encontrou um conjunto de respostas que não cabem em modelos nem em dashboards, mas que continuam a ser profundamente relevantes para quem toma decisões.
Não é uma história sobre agricultura. É sobre perspetiva. E sobre aquilo que, mesmo num setor dominado por dados e tecnologia, continua a escapar à lógica mais imediata da eficiência.
A partir daí, o ambiente transforma-se, mas a lógica mantém-se. O cocktail e o jantar de networking patrocinado pela Savills prolongam as conversas iniciadas ao longo da tarde, num formato mais informal, mas igualmente relevante para quem vê na supply chain não apenas uma função, mas um espaço de relação, influência e construção de futuro.
A SCM Conference 2026 arranca assim com uma proposta clara: olhar para a supply chain como ela é hoje, um sistema interdependente, em permanente tensão entre caos e controlo, onde a diferença não está apenas na capacidade de execução, mas sobretudo na qualidade das decisões.
As inscrições já estão abertas e para quem está envolvido nas decisões que moldam a supply chain, este é o momento de garantir presença numa conversa que dificilmente ficará apenas pelo que acontece no palco.
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