O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul oferece oportunidades à Europa no que diz respeito à transição energética, uma vez que facilitaria a diversificação fora da China, de acordo com uma análise efetuada pela Crédito y Caución.

“A União Europeia tem uma necessidade urgente de fontes alternativas de matérias-primas críticas, especialmente para a transição energética, e os países do Mercosul estão bem posicionados para colmatar essa lacuna”, afirma Greetje Frankena, diretora adjunta de Investigação Econḿica da Atradius Crédito y Caución.

Assim, a empresa destaca países como Argentina – uma vez que possui grandes reservas de lítico, essencial para baterias – e Brasil – rico em grafite, manganês, níquel, bauxite e elementos de terras raras. “Impostos de exportação mais baixos e regras de investimento mais claras poderão fortalecer significativamente as cadeias de abastecimento europeias”, indica.

No que diz respeito à segurança energética, a União Europeia está a redzuir a sua dependência da Rússia e a expandir a cooperação com países como Brasil e Argentina, o que poderá significar em parcerias atrativas a longo prazo.

Ainda assim, persistem as controvérsias sobre os efeitos do acordo, especialmente por parte dos agricultores europeus, que expressam as suas preocupações com a concorrência de produtores do Mercosul. Para dar resposta a estas preocupações, o acordo inclui quotas para produtos como carne de vaca, aves, açúcar e certos produtos lácteos.

“Espera-se que os benefícios macroeconómicos sejam modestos a curto prazo, pois a importância do acordo reside menos no seu impacto imediato no PIB e mais no seu sinal estratégico”, afirma a Crédito y Caución.