O grupo espanhol Cortizo vai investir mais de 100 milhões de euros na construção de uma nova unidade industrial em Chaves, num projeto que reforça a integração das cadeias industriais entre Portugal e Espanha e aposta num modelo produtivo mais próximo, automatizado e verticalmente integrado.
A nova unidade será instalada no Parque Empresarial de Chaves, numa área de cerca de 30 hectares, onde será desenvolvido um complexo industrial com aproximadamente 80 mil metros quadrados, dedicado à transformação de alumínio, um dos maiores investimentos industriais alguma vez realizados no concelho de Chaves. A entrada em funcionamento está prevista para o final de 2027, com a criação estimada de 400 a 450 postos de trabalho diretos.
Mais do que um investimento industrial de grande escala, o projeto da Cortizo traduz uma tendência mais ampla de reorganização das cadeias de abastecimento na Europa, com uma crescente aposta na proximidade geográfica e na integração de operações. Ao concentrar no mesmo local diferentes etapas do processo produtivo, da extrusão aos acabamentos, a empresa reforça o controlo sobre a cadeia de valor, reduz dependências externas e aumenta a previsibilidade operacional.
Este movimento ganha particular relevância no contexto ibérico. Fundada na Galiza, a Cortizo aprofunda agora a sua presença no norte de Portugal, contribuindo para a consolidação de um eixo industrial transfronteiriço cada vez mais interligado. A proximidade geográfica entre as duas regiões permite ganhos ao nível da logística, da coordenação industrial e da resposta ao mercado, num momento em que a resiliência e a agilidade se tornaram fatores críticos.
A escolha de Chaves, à partida fora dos principais polos industriais do país, evidencia também a importância crescente de fatores como disponibilidade de espaço, condições de investimento e enquadramento institucional. O projeto resulta de um trabalho de cooperação iniciado em 2020 entre o município e a empresa, tendo sido classificado como Projeto de Interesse Nacional (PIN), o que lhe confere acesso a mecanismos específicos de apoio e aceleração.
Do ponto de vista operacional, a futura fábrica será a mais avançada do grupo, integrando tecnologia de ponta e sistemas de produção automatizados. Este posicionamento reforça a tendência de evolução para modelos industriais mais digitalizados e eficientes, capazes de responder a ciclos de procura mais voláteis e exigentes.
Com presença consolidada em vários mercados europeus, a Cortizo continua assim a expandir a sua base industrial num momento em que a competitividade passa cada vez mais pela capacidade de combinar escala, proximidade e controlo da cadeia produtiva.
FOTO: C.M. Chaves



