As exportações portuguesas de componentes para automóveis em janeiro de 2026 alcançaram 1.001 milhões de euros, representando uma variação homóloga de -6,9%, segundo os dados divulgados pela Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).
O ano de 2025 encerrou, em dezembro, com 666 milhões de euros em exportações. Ainda assim, apesar da quebra, registaram um melhor desempenho quando comparadas com as exportações totais nacionais de bens, que apontou uma descida de 14,1% em relação ao mesmo período.
Os dados do ano passado, ainda que provisórios, mostram uma diminuição da produção de componentes para o automóvel no ano económico de 2025, com uma descida de 4,8%. Segundo a AFIA, esta queda está em linha com a quebra da produção na Europa, principal mercado de destino nas vendas nacionais.
A Europa concentra 88,5% das exportações portuguesas de componentes automóveis. Em janeiro deste ano, as vendas para este mercado registaram uma descida de -2,8% face ao período homólogo. Já as exportações para África e Médio Oriente tiveram um crescimento de 32,1%, enquanto a América recuou 1,2%, e a Ásia e Oceânia diminuíram 25,5%.
Espanha continua a liderar o ranking dos principais mercados de destino, com uma quota de 27,5%, seguida da Alemanha com 23,4%, e França com 9,9%. Quanto à evolução homóloga, destaca-se as subidas das exportações para França (+13,2%), Itália (+14,2%) e Polónia (+29,0%). Por sua vez, registaram-se quedas em mercados como Espanha (-8,9%), Reino Unido (-18,6%) e EUA (-47,4%).
“Os dados de janeiro mostram que, mesmo num contexto internacional exigente, a indústria automóvel portuguesa de componentes continua a ter um peso muito relevante na economia e nas exportações nacionais. O desafio agora é garantir condições de competitividade que permitam às empresas investir, inovar, qualificar talento e responder à transição tecnológica. No entanto, não podemos esquecer agora o agravamento dos novos conflitos e das tensões geopolíticas que vão trazer mais incerteza ao setor, o que acaba por tornar ainda mais urgente uma política industrial que proteja a competitividade, o investimento e a capacidade exportadora do setor”, afirma José Couto, presidente da AFIA.



