O mercado industrial e logístico continua sob pressão em 2026, em consequência de um cenário de oferta limitada, que transita do ano passado. A estimativa é da Savills, que se baseia nos resultados de 2025: um stock de 4,9 milhões de m2 e uma taxa de disponibilidade de 3,02%.

Os dados pretencem ao “Savills I&L Outlook 2025 | Trends 2026”, em que a consultora imobiliária analisa o mercado. E em que concretiza que, no segmento logístico, o pipeline na Grande Lisboa para os próximos dois anos, pouco acima de 360.000 m², distribuídos por cerca de 14 projetos e com 34% já pré-arrendados, fica aquém da procura acumulada, estimada em cerca de 1 milhão de m².

Neste contexto, considera que “2026 poderá tornar-se um dos melhores anos de sempre em investimento direcionado para desenvolvimento de produto logístico em Portugal, contribuindo para reduzir o desequilíbrio entre oferta e procura”. Isto porque, à medida que estes projetos forem colocados no mercado, é de esperar “um aumento substancial do take-up e o aparecimento de operações de leasing de carácter mais estruturante, em ativos de maior dimensão e qualidade, com boas localizações e fortes credenciais ESG”.

Em 2025, a atividade de take-up totalizou 492.049 m², menos 36% do que em 2024. No segmento logístico, foram transacionados cerca de 323.000 m², o que traduz uma descida de 23% face ao ano anterior. As operações em regime de pré‑arrendamento representaram 26% do total de área ocupada, o que, segundo a consultora, “evidencia a necessidade de assegurar espaço antecipadamente”.

O relatório identifica que a procura continua suportada pelo crescimento do comércio eletrónico, pela otimização das cadeias de abastecimento e pela maior exigência em espaços mais eficientes e sustentáveis. “A pressão sobre ativos de melhor qualidade permanece elevada, em particular nas principais zonas logísticas da Grande Lisboa e do Grande Porto”, conclui.

Na Grande Lisboa, o mercado logístico fechou 2025 com um stock de cerca de 3,5 milhões de m² e uma taxa de disponibilidade de 2,76%. Ao longo do ano, a atividade de take-up industrial e logística atingiu 269.611 m², menos 27% do que em 2024. Dentro deste total, as operações logísticas representam a fatia maioritária, confirmando o peso deste segmento na dinâmica da região.

Já no Grande Porto, o mercado logístico encerrou 2025 com um stock de 1,3 milhões de m² e uma taxa de disponibilidade de 3,71%. A atividade de take-up industrial e logístico atingiu cerca de 157.000 m², o que traduz uma descida de 26% face ao ano anterior. Ainda assim, o segmento logístico reforçou o seu peso relativo e passou a concentrar a maioria das operações na região.

A Savills adianta, ainda, que o mercado de investimento imobiliário em Portugal terminou 2025 com um volume de 2,7 mil milhões de euros, mais 11% do que em 2024 e 13% acima da média dos últimos três anos. A atividade foi particularmente concentrada no último trimestre, que totalizou 902 milhões de euros, “ainda assim abaixo do pico excecional registado no mesmo período do ano anterior”.

O segmento industrial e logístico somou cerca de 310 milhões de euros, o que corresponde a 12% do volume total investido em 2025. Em comparação com 2024, ganhou peso no mercado, sustentado pela procura de ativos com contratos estáveis e localizações consolidadas. Já a yield prime para ativos logísticos manteve-se em torno de 5,50%.