A Evergreen opera atualmente a frota mais jovem entre os principais armadores de transporte marítimo de contentores, num momento em que a renovação dos navios se torna cada vez mais relevante para responder às exigências de eficiência energética e às metas ambientais do setor. Os dados mais recentes da Alphaliner mostram que, apesar da liderança global em capacidade estar concentrada noutros operadores, são companhias de dimensão intermédia que apresentam as frotas mais recentes.
De acordo com a consultora, a Evergreen lidera o ranking com 240 navios e cerca de 2 milhões de TEU de capacidade, registando uma idade média de 9,3 anos por navio.
Logo a seguir surge a Wan Hai, com cerca de 600 mil TEU de capacidade total e uma idade média de 9,4 anos, enquanto o operador sul-coreano HMM ocupa a terceira posição. A companhia ultrapassou recentemente a marca de um milhão de TEU de capacidade, com uma idade média da frota de 9,6 anos.
O ranking revela também um contraste interessante com os maiores operadores do setor. Apesar de ser atualmente o maior armador mundial em capacidade, a MSC – Mediterranean Shipping Company surge apenas na 17.ª posição, com uma frota composta por 984 navios e cerca de 7,2 milhões de TEU, cuja idade média ronda os 17 anos.
Esta posição está em grande parte relacionada com a estratégia seguida pela companhia suíça nos últimos anos. Para acelerar o crescimento e consolidar a liderança global, a MSC investiu fortemente na aquisição de navios em segunda mão, uma opção que permitiu aumentar rapidamente a capacidade disponível, mas que também contribuiu para elevar a idade média da frota.
Os seus principais concorrentes diretos apresentam valores intermédios. A Maersk opera navios com idade média de 14,9 anos, enquanto a CMA CGM surge na 10.ª posição, com uma média de 13,2 anos entre os 20 maiores operadores mundiais.
A COSCO ocupa o 13.º lugar, com 13,6 anos, e a Hapag-Lloyd aparece na 12.ª posição, com 13,3 anos de idade média da frota.
Para além das diferenças estratégicas entre armadores, os dados refletem também uma tendência mais ampla do mercado. Com o transporte marítimo a atravessar um período de forte procura e rentabilidade nos últimos anos, o número de navios enviados para abate tem sido relativamente reduzido, o que tem contribuído para o aumento gradual da idade média da frota global.
Ao mesmo tempo, a idade dos navios tornou-se um fator cada vez mais relevante num setor pressionado pela transição energética do shipping. Regulamentos internacionais como o EEXI e o CII da Organização Marítima Internacional (IMO) estão a obrigar os operadores a melhorar a eficiência energética das embarcações, acelerar programas de retrofit ou investir em navios de nova geração, preparados para combustíveis alternativos, como metanol, amoníaco ou LNG.
Neste contexto, a modernização das frotas deixa de ser apenas uma questão operacional ou financeira e passa a assumir também um peso estratégico na competitividade dos armadores, à medida que o transporte marítimo entra numa fase de transformação tecnológica e ambiental.



