Um estudo da Associação Comercial do Porto (ACP-CCIP), desenvolvido pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), revelou que as tarifas impostas pelos EUA à União Europeia (UE) terão um “impacto global moderado na economia portuguesa”, cita o Jornal Económico.
As tarifas deverão afetar, especialmente, a região norte do país, a que concentra a maior atividade de exportações nacionais (35%), e a que reúne mais empresas exportadoras (42% do total regional).
Num contexto em que se admite uma tarifa geral de 15% sobre as exportações europeias para os EUA, o estudo indica que as exportações portuguesas para este mercado possam diminuir entre 300 e 370 milhões de euros.
Esta redução, “poderá traduzir-se numa diminuição da produção nacional entre 680 e 840 milhões de euros, numa perda de 215 a 270 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB), e na eliminação de 4.500 a 6.000 postos de trabalho, acompanhada por uma diminuição significativa do montante global das remunerações”.
Os setores de produtos petrolíferos e derivados, do ferro e aço, têxtil, de produtos de borracha e equipamento elétrico, deverão ser os mais afetados, prevendo-se quebras em atividades industriais com elevada exposição ao mercado dos EUA.
“Este estudo confirma, com base científica rigorosa, aquilo que muitas empresas já começam a sentir no terreno: a crescente instabilidade do comércio internacional tem efeitos assimétricos e penaliza de forma particular regiões com forte base industrial e exportadora, como o norte do país”, afirma Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto. Considera, por isso, “essencial” antecipar o impacto para que as empresas possam tomar medidas atempadamente.
Por sua vez, Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, revela qual a principal mensagem do estudo: “é a necessidade de reforçar a resiliência da economia portuguesa, reduzindo dependências excessivas e apostando na diversificação de mercados e no aumento do valor acrescentado das exportações”.
Desta forma, a publicação defende uma resposta coordenada, na dimensão nacional e europeia, destacando várias prioridades: aprofundamento do Mercado Único Europeu, a celebração e ratificação célere de novos acordos comerciais, reforço dos instrumentos de financiamento ao investimento, apoios seletivos aos setores e regiões mais expostos, com especial atenção à região norte, promoção ativa da diversificação geográfica das exportações, identificando oportunidades em mercados de África, América Latina e Ásia.



