A IATA projeta que as companhias aéreas irão transportar 71,6 milhões de toneladas de carga em 2026, num ano que deverá ficar marcado por crescimento moderado, maior fragmentação da procura e um reforço do investimento em sustentabilidade.
O cenário traçado pela associação surge após um outubro de 2025 particularmente robusto para a carga aérea, com a procura global a crescer 4,1% em termos homólogos, naquele que foi o oitavo mês consecutivo de crescimento, segundo dados da IATA. As rotas intra-Ásia, Médio Oriente–Europa e Europa–Ásia foram os principais motores desta evolução, enquanto o corredor Ásia–América do Norte continuou sob pressão, penalizado pelo impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A nível regional, o desempenho foi desigual. As companhias africanas lideraram o crescimento, com um aumento de 16,6%, seguidas da Ásia-Pacífico (+8,3%) e do Médio Oriente (+5,7%). A Europa registou um crescimento estável de 4,3%, enquanto América do Norte e América Latina recuaram ambas 2,7%, refletindo ajustamentos em curso nas cadeias de comércio internacional e na configuração das rotas.
“O desempenho de outubro mostra como o cargo aéreo está a permitir que as cadeias globais de abastecimento se reconfigurem em tempo real”, afirmou Willie Walsh, diretor-geral da IATA. “Essa capacidade será crítica à medida que entramos na época alta do quarto trimestre e nos preparamos para um ambiente de procura mais fragmentado em 2026.”
A fragmentação, aliás, surge como uma das palavras-chave para o ano que agora começa. Apesar do crescimento, persistem pressões nos custos operacionais, com os preços dos combustíveis a subirem 2,5% em outubro, mesmo num contexto de descida do crude. Em paralelo, o índice PMI global da indústria transformadora mantém-se apenas ligeiramente acima do limiar de crescimento, enquanto o sentimento associado às encomendas para exportação continua cauteloso.
No plano estratégico, a sustentabilidade ganha peso crescente. A IATA estima que o setor irá investir 4,5 mil milhões de dólares em Sustainable Aviation Fuel (SAF) em 2026, no âmbito do seu esforço de descarbonização, a par de 1,7 mil milhões de dólares em financiamento climático. Estes objetivos acompanham a expansão da capacidade e a necessidade de ganhos contínuos de eficiência operacional.
Num contexto de comércio internacional mais volátil e geograficamente assimétrico, a carga aérea entra em 2026 com crescimento previsto, mas exigindo decisões mais finas ao nível das redes, da gestão de capacidade e do alinhamento entre investimento e sustentabilidade, fatores cada vez mais determinantes para a competitividade das cadeias globais de transporte.



