A Atlantic, especializada no transporte rodoviário de matérias perigosas, realizou, no passado dia 6 de novembro, o Atlantic Vision Day, um encontro que reuniu parceiros, clientes e especialistas do setor para apresentar as mais recentes inovações que implementaram nas suas operações, nomeadamente a parceria estratégica com a Vodafone, apoiada pela X-Evolution e SafeDrive.

Durante a sessão, a empresa apresentou o seu caminho na transição digital, focando na visão de futuro orientada para melhorar a experiência do cliente, valorizar os motoristas e a segurança em todo o ecossistema operacional.

Após um período marcado pelos desafios da greve dos motoristas, e pela pandemia, a Atlantic apostou fortemente na componente digital em 2022, tendo tido como objetivo selecionar um parceiro ligado à área das telecomunicações para iniciar o processo de digitalização das operações. Assim, em 2023, inicia-se a parceira da Atlantic com a Vodafone.

“Eu lembro-me de ter ido à Atlantic para as primeiras reuniões e de perceber que, efetivamente, existia muito papel na operação. Então, o objetivo da parceria passava pela transformação digital e pela retirada do papel”, começou por dizer Rui Luís, responsável pelo desenvolvimento de negócios na área da transformação digital da Vodafone. Então, contactou a X-Evolution, uma empresa tecnológica portuguesa especializada em retirar o papel das organizações, que visava alcançar esse mesmo objetivo na operação da Atlantic.

Antes da implementação da solução, todo o processo era moroso. No caso dos transportes, era necessário preencher uma folha com todos os dados que, posteriormente, teria de se entregar à área administrativa para que toda essa informação fosse digitalizada. Através da solução criada em conjunto com a Vodafone e a X-Evolution, o motorista apenas tem de confirmar os dados num tablet, através de perguntas pré-definidas.

A solução – inicialmente denominada por ReadyCheckGo e, mais tarde, por Atlantic System – é, então, composta por um backoffice em que é possível definir as informações necessárias a ser recolhias (checklists); e um front office, no qual, através de um tablet, o motorista dá resposta às questões (tarefas que tem de completar, indicar se o camião está com alguma avaria, etc.); e, por último, um portal do cliente, no qual é possível analisar a operação em tempo real (se a mercadoria já foi entregue, se houve alguma avaria ou acidente, etc.)

O objetivo desta implementação passava pela otimização de tempo, por uma recolha de informação mais rápido e ágil, e ter um planeamento mais assertivo.

 

Missão: acabar com o papel

“A Vodafone é o nosso parceiro preferencial para complementar com as telecomunicações porque o que fazemos para acabar com o papel, é dotar os utilizadores de dispositivos móveis para poderem registar todas as informações, e a consultá-las em qualquer lado”, começou por explicar Bruno Marques, CEO da X-Evolution.

O responsável confirmou que existia muito papel na operação da Atlantic e que, o principal, eram as folhas de serviço (que incluíam faturação, cálculos de subsídios, cálculos de tempos, etc.). Assim, mostraram à empresa que tinham uma solução que permitia ter um formulário digital (as checklists) para os motoristas poderem efetuar o relatório de viagem e centralizar toda essa informação.

A primeira fase de implementação começou com a digitalização da folha de serviço e das informações que constavam em Excel. “Fazíamos a requisição de serviços, chegavam-nos os ficheiros de Excel que seguiam para a plataforma Atlantic System. Entretanto, o planeamento realizava a análise dos serviços e enviava para os motoristas. Estes recebiam a folha de serviço no tablet e só tinham de preencher com a confirmação do serviço”, indicava Bruno Marques.

A grande vantagem, destacada pelo CEO, é que os motoristas já não precisam de escrever o relatório após oito horas de trabalho, e ainda entregá-los ao departamento administrativo.

 

Segurança em primeiro lugar

Esta colaboração contou ainda com a SafeDrive, o representante exclusivo da Geotab – player de telemática – em Portugal. Neste caso, Tiago Reis, da SafeDrive, abordou as funcionalidades da tecnologia Geotab nomeadamente no que diz respeito ao controlo, monitorização e segurança da frota.

A implementação por parte da SafeDrive divide-se em três fases. A primeira, que é onde se encontram atualmente, diz respeito à monitorização dos próprios camiões. A empresa está a instalar dispositivos para localização imediata do veículo, visando saber onde se encontra, qual a viagem que efetuou, entre outros dados.

A segunda fase tem que ver com os reboques, ou seja, estes podem não estar alocados aos camiões e, por isso, importa fazer a sua monitorização. Neste caso, a SafeDrive tem a capacidade de instalar um dispositivo de terceiros que providencia a localização e histórico do reboque. Além disso, pretende ainda acrescentar alguns dados que possam demonstrar se o reboque sofreu oscilações durante o transporte, ou travagens bruscas, para que a Atlantic saiba o que aconteceu à carga durante determinada viagem.

Por último, importa perceber os comportamentos dos motoristas, por isso, a SafeDrive tem uma solução destinada ao ambiente externo, que permite saber, através de uma câmara, se algum problema durante a viagem ocorreu por fatores externos. Essa mesma câmara também capta o interior do veículo no sentido de averiguar se determinado problema ocorreu devido a comportamentos inadequados do motorista. O algoritmo irá detetar se o motorista está a dar sinais de fadiga, se se distraiu por utilizar o telemóvel, se centrou o olhar por demasiado tempo, entre outros dados. “O que é importante aqui frisar é que esta solução não é para controlar o motorista, mas sim para detetar comportamentos de condução que podem gerar perigo e, neste caso, quando falamos de transporte de matérias perigosas, temos que ir até ao detalhe”, indicou Tiago Reis.

A aposta da Atlantic visa tornar o transporte de mercadorias perigosas num processo cada vez mais seguro, eficiente e sustentável não só para a própria operação, mas também para os motoristas.