A Inteligência Artificial (IA) acompanhou toda a Procurement Conferência, esta segunda-feira, 6 de outubro, com as intervenções a centrarem-se no potencial que apresenta para transformar a função e a prática de procurement e, por consequência, o negócio.
E, para tirar o máximo partido desse potencial, os dados são determinantes, como demonstrou Tiago Conde, especialista em risk management, compliance e soluções de transformação digital da Informa D&B. “Dos dados às decisões: a importância dos dados na transformação do pocurement com IA” foi o fio condutor da sua intervenção.
Recorrendo a um caso prático de consulta ao ChatGPT, começou por chamar a atenção para a importância da credibilidade das fontes e para a necessidade de garantir que há fontes de informação disponíveis para que o processo de IA pode desenvolver-se sem interrupções.
Além disso, importa assegurar que os dados são pertinentes e atuais, que a informação corresponde à realidade da entidade em causa e, ainda, que quem analisa esses dados possui capacidade de contextualização. Afinal, como sublinhou, os dados são essenciais para a tomada de decisões e para mitigar riscos – decisões mais informadas são melhores decisões. Daqui resulta maior eficiência, na medida em que, ao trabalhar apenas a informação relevante, se usam menos recursos, e mais competitividade, porquanto passa a ser possível analisar tendências e prever comportamentos.
Debruçando-se sobre os desafios, Tiago Conde lembrou que as organizações foram criando silos de dados para diferentes necessidades, com a informação a ficar dispersa. Ora, a IA tem a capacidade de interligar estas bases de dados, eliminando eventuais discrepâncias. É este, aliás, o propósito do DUNS Number, uma solução desenvolvida pela Dun & Bradstreet (D&B), que funciona como um identificador que unifica toda a informação. Com cobertura total do tecido empresarial português, este número acompanha toda a vida da empresa, numa visão end-to-end que permite monitorizar, atualizar e enriquecer a base de dados e, com isso, potencia a gestão de riscos, o controlo de custos e o crescimento do negócio. “O futuro é data-driven”, conclui.
Para lá da eficiência
Sobre isso não tem certamente dúvidas Cristina Lobo Matias, senior manager consultant de Data & AI na IBM, cuja intervenção foi subordinada ao tema “Como o Agentic AI está a transformar as áreas de procurement: de função operacional a pilar estratégico”.
Lembrou, desde logo, que a IA consegue automatizar 70 a 80% do trabalho manual, o que se traduz e ganhos de eficiência. Mas, o desafio não é este: é usar a IA para revolucionar a forma como se trabalha, transformando os fluxos da cadeia de abastecimento e, com isso, elevando o procurement na organização.
Considerando que a IA vem aumentar a capacidade humana, destacou que o que está em causa não é a substituição de empregos, mas, sim, outro paradigma: “Aqueles que trabalham com a IA vão substituir os que não trabalham com esta ferramenta”, comentou.
E já não se trata dos modelos fundacionais, assentes em copilotos de IA que ajudam a ganhar eficiência: está-se numa nova era, a dos Agentes de IA, que, ao invés de definir o fluxo de uma forma determinística, sabem identificar qual o fluxo a percorrer, independentemente das várias tarefas que tem de executar para chegar ao objetivo final. “É na cooperação entre estes agentes que se automatizam e os agentes humanos que se começa a gerar valor no trabalho de procurement e na cadeia”, preconizou, exemplificando que estes agentes possuem capacidade para definir a gestão de categoria, para dar insights relevantes para a negociação, para analisar contratos e despesas, e identificar oportunidades de melhoria.
“É uma questão de usar esta tecnologia para transformar e recriar a função, com a intervenção do profissional mais orientada, com maior qualidade da resposta”, concluiu.
Transformação em curso
Esta transformação está em curso na Galp, tendo sido dada a conhecer por Alfredo Figueira, head of Supply Chain and IT Procurement. O caminho iniciou-se em 2008, com a introdução das primeiras soluções SAP, tendo desembocado, em meados de 2024, com a IA e a estreia da GenAI, ferramentas que considerou vitais na gestão dos riscos – financeiros, de compliance, de segurança, entre outros – e para responder às pressões dos stakeholders – entre os que querem mais valor e os que pretendem mais agilidade e mais entrega.
No que respeita à digitalização do procurement na empresa de energia, que trabalha com cerca de 4500 fornecedores anuais, permitiu ultrapassar a compartimentação dos sistemas, a qual dificultava a visibilidade da informação e a agilidade dos processos.
A transformação envolveu, antes de mais, a definição de uma estratégia de priorização, de modo a identificar o que é crítico e qual o caminho, seguindo-se a criação de um ecossistema tecnológico, garantindo a integração de todos os sistemas. A automação, primeiro, e a IA, depois, permitem – como sublinhou o orador – que os profissionais se possam dedicar a aportar inovação, a investir na sustentabilidade e na gestão de risco, resultando em resiliência e em maior agilidade na entrega. E proporcionando que o procurement se afirme como parceiro estratégico da organização.
Casos práticos
A transformação digital foi o denominador comum de várias outras intervenções, dominadas pela apresentação de casos práticos. Foi assim com Vítor Ribeiro Gomes, CEO da Pendular – Gestão de Compras e Serviços, que levou à conferência o tema “IA em procurement… do processo à estratégia”.
Por sua vez, Tiago Cruz, GBS Procurement SL e Car Fleet and T&A Service Owner da Syensqo, exemplificou como “Transformar T&E e frota em valor – o novo mandato do procurement”. E Filipe Brás, Business Development director da EVIO, explanou “Como contratualizar serviços de carregamento na mobilidade elétrica e as novas mudanças no setor”. Finalmente, Daniel Rodrigues, consulting team manager na Develop, deu a conhecer a solução Purchase to Pay (P2P) da empresa.


