As pessoas estiveram em destaque na Procurement Conferência, esta segunda-feira, 6 de outubro, com painéis que procuraram responder a questões essenciais como a importância das equipas, a formação e as competências para desempenhar a função. Deles emergiu a certeza de que o lado humano do procurement é determinante para aportar valor e contribuir para o sucesso.

Foi precisamente em equipa que o tema começou por ser abordado, numa conversa sob o mote “Equipa… Esse super poder!” protagonizada por Isabel Martins, Head of Procurement da Daufood, e dois dos profissionais que a acompanham – Francisco Ribeiro e Zuzana Valaskova, ambos da equipa global da Domino’s Pizza.

“O que faz uma equipa de compras realmente eficaz?”, começou por questionar Isabel Martins, para responder que não se trata apenas de contratar os melhores especialistas nem de dominar as ferramentas eletrónicas ou os processos em powerpoint. Há uma cola invisível que é determinante para entregar a tempo e horas e com qualidade: a comunicação. “Só em equipa chegamos a algum lado e nas compras, com todos os imprevistos do dia a dia, é ainda mais importante. É preciso falarmos e, mais ainda, quando alguma coisa corre mal.”

E esse diálogo é ainda mais importante quando há membros da equipa fora do país ou em teletrabalho. É o caso de Zuzana Valaskova, que interveio remotamente, na medida em que está sediada na Eslováquia.

A propósito de comunicação, Isabel Martins defendeu que deve estender-se aos clientes internos, das áreas operacionais ao marketing, da área financeira aos recursos humanos. E aos fornecedores: “Devemos falar com todos e da mesma maneira, porque são todos importantes”, afirmou.

Da intuição à excelência

Esta necessidade de comunicação do procurement com os fornecedores e com as demais áreas da empresa voltaria a estar em palco no painel “Excelência ou intuição? O dilema da formação em Procurement”. O debate fez-se a dois, entre Cláudia Monteiro, Operations & Procurement Specialist and Enthusiast, e Bruno Simões, Head of Supply Chain na Labatec Parma, contando com o contributo da audiência na seleção das questões sobre as quais se pronunciaram.

O primeiro tópico para reflexão prendeu-se com as competências prioritárias na formação dos profissionais de procurement, com Cláudia Monteiro a defender que se tem assistido a tendências, dos dados à sustentabilidade, sendo indispensáveis a negociação estratégica e a liderança e, mais recentemente, a literacia digital. “Não podemos fugir, quanto mais resistirmos pior”, comentou.

Na sua opinião, a formação e a gestão de carreira é uma responsabilidade de cada profissional: “Não podemos ficar à espera que cuidem da nossa carreira, temos de nos dedicar e de procurar as competências”, advogou. De si própria, disse que foi o procurement que a escolheu: afinal, é formada em recursos humanos. Talvez por isso, e por acreditar que, no procurement, os seus dias são passados a gerir emoções, valoriza o que designou como liderança emotiva, a capacidade de “levar” a equipa consigo.

Já Bruno Simões, sublinhou a importância de competências de negociação e de resiliência, a que adicionou uma boa liderança e comunicação, mas também intuição.

E como transformar uma prática intuitiva em excelência? Reportando-se ao setor em que trabalha, isto é, a indústria farmacêutica, evidenciou o papel dos chamados standard operating procedures, essenciais para garantir que o processo está controlado e pode ser repetido, minimizando os desvios. Na sua perspetiva, se todas as fases do procurement estiverem mapeadas rapidamente se passa para a excelência.

A experiência de Cláudia Monteiro é distinta. “Raramente fazemos a mesma coisa duas vezes; não existe esse padrão tão rigoroso, embora haja procedimentos”, referiu, reconhecendo que, em procurement, não se pode funcionar com “cheirómetros”. Intuição, sim, mas q.b., sendo importante a existência de um framework, para que a equipa conheça as balizas, mas sem ficarem presas a protocolos que podem estrangular a criatividade.

Entre as competências que valoriza, destaca a humildade para aprender. Aprender com os fornecedores, de modo a estabelecer parcerias: “Não podemos ir para uma negociação a pensar que temos o empoderamento”, defendeu. E aprender com as outras áreas da empresa, com os clientes internos. Também para que percebam que os profissionais de procurement fazem a diferença no sucesso.