A Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) apresentou uma nova estratégia para o setor chegar a mercados externos, e envolve uma competição entre os dois maiores produtores de calçado da Europa.
Itália mantém a liderança europeia na produção de calçado (162 milhões de pares), com quase o dobro da portuguesa (85 milhões de pares), segundo dados recentes do Eurostat. Num estudo encomendado à EY, a APICCAPS procurou apurar a rentabilidade de o país investir na produção para o setor de luxo.
Em comunicado, a associação nota que todos os anos são produzidos 24 mil milhões de pares de calçado, dos quais 88% são provenientes da Ásia. Estima-se que seja um setor avaliado em 398 mil milhões de dólares, dos quais 8% (31,7 mil milhões de dólares) são referentes ao setor de luxo. “É precisamente esse que a indústria portuguesa de calçado deverá privilegiar”, entende a APICCAPS.
Segundo o Gabinete de Estudos da associação, o preço médio do calçado português aumentou 18% na última década para 27,32 euros o par, enquanto o italiano cresceu 81,2% neste período, atingindo os 66,56 euros. “Ainda que o nosso preço médio seja já o 2º mais elevado à escala mundial, entre os principais produtores, estamos ainda aquém do nosso potencial”, destaca o diretor do Gabinete de Estudos da APICCAPS, “em Portugal existem todas as condições para nos afirmarmos nos segmentos de maior valor acrescentado”.
A associação explica que através deste estudo, a EY procura avaliar o mercado do setor do calçado de luxo “de modo a compreender a real dimensão do setor e antecipar como a indústria do calçado se irá comportar no futuro”. Estão também a ser “identificadas as forças de mudança modeladoras do setor, de forma a compreender as necessidades do mercado”, com o objetivo de perspetivar “oportunidades de mercado e reforçar o posicionamento de Portugal como referência internacional na indústria”.
Para além de ser o maior produtor da Europa, Itália é também a principal referência no mercado de calçado de luxo, assegurando 53% da quota de mercado. A EY considera que “a produção de calçado nestes segmentos é exigente”, mas que, ainda assim, existem oportunidades para a indústria nacional.
Ainda que “as empresas portuguesas estejam em estados de maturidade diferentes, tendo em conta o contexto desafiante que o setor enfrenta, devem considerar produzir para segmentos de cliente de maior valor acrescentado”, nota a EY, afirmando que “Portugal poderá posicionar-se como um player relevante”.



