Tal como tem vindo a ser sentido nos mais diversos setores, o farmacêutico também está a ser impactado pelo aumento dos custos dos combustíveis, e mesmo ao nível de algumas matérias-primas e produtos finais, “e é preciso garantir que o circuito da distribuição tem condições para fortalecer os stocks para garantir o acesso”, afirma o Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe.

O custo do produto final sofrerá o impacto dos custos diretos e indiretos na supply chain, e “é preciso que se criem condições para que estes profissionais possam garantir a sua parte”, afirma o responsável.

Após uma reunião com a Associação dos Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA), o bastonário alertou para a subida dos custos de transporte, a provável dificuldade de aprovisionamento de algumas matérias-primas e nalguns produtos finais, e “é preciso garantir que o circuito da distribuição tem condições para fortalecer os stocks para garantir o acesso”.

Helder Mota Filipe aponta ainda que “não conseguimos ter um circuito do medicamento robusto se a parte da qual é responsável o setor da distribuição não tiver as condições indispensáveis adequadas para poder exercer a sua função”, sendo necessário “revisitar fórmulas de pagamento dos distribuidores” para que se reflitam os esforços adicionais desta área.

Nuno Flora, presidente da ADIFA, nota aos jornalistas como nos primeiros dois meses, antes da guerra entre a Ucrânia e a Rússia, os custos energéticos aumentaram 15%. “Sabendo que cerca de 1/3 dos custos [do setor] são transportes, qualquer alteração nos preços dos combustíveis afeta sobremaneira a capacidade de a distribuição cumprir a sua missão”, afirma o responsável pelos distribuidores, acrescentando que o setor já apresentou propostas ao Governo para compensar estes aumentos.

“Já nos dirigimos ao Governo (…) com propostas que representam o que outros setores já têm, por exemplo, a majoração da dotabilidade dos custos com combustíveis, a isenção do UIC ou reduções parciais no imposto petrolífero”, afirma Nuno Flora, indicando que estas são medidas de apoio a um setor que precisa de ainda mais do que está a solicitar.

Nos últimos anos os preços dos medicamentos e as margens de lucro têm sofrido uma “grande pressão”, e que têm trabalhado com “uma margem e uma capacidade operacional mais baixa do que aquilo que seria desejável”, que só não impactou as operações “porque os distribuidores têm conseguido ultrapassar estas situações”.

“É bom que tenhamos noção de que este setor percorre diariamente 200.000 quilómetros, faz 6.000 entregas por dia às farmácias, que mais de um milhão de produtos são entregues diariamente e que [o setor] precisa de maior acompanhamento, sobretudo na sua remuneração” – Nuno Flora, presidente da ADIFA.

Helder Mota Filipe destaca ainda o papel da logística farmacêutica na reserva estratégica de medicamentos, e defende que a distribuição devia estar mais envolvida neste processo.

“Na reserva estratégica de medicamentos, alguns produtos são só para usar em catástrofe, como os antídotos para situação guerra química e biológica, que devem ficar armazenados para ser usados se for necessário. Mas há um grande conjunto de medicamentos usados em situação de catástrofe que são medicamentos utilizados todos os dias (…). Não faz sentido ter essas enormes quantidades de medicamentos fechadas num armazém à espera de perder o prazo de validade”, afirma, enquanto que na estratégia moderna “essa reserva está no circuito da distribuição, aumentando o stock para garantir, mas estando sempre em circulação, não perdendo a validade”.

“O processo está montado e os atores à espera que haja da parte das autoridades a identificação da lista dos medicamentos necessários”, conclui.