Uma nova ligação ferroviária de 213 km entre o polo industrial de Campinas e o Porto de Santos entra em operação, reforçando a transferência modal num dos corredores mais pressionados do Brasil e abrindo uma alternativa mais previsível e sustentável para o transporte de contentores.

A MRS Logística e a Ocean Network Express (ONE) lançaram um novo corredor intermodal que liga o terminal de Paulínia, no estado de São Paulo, ao Porto de Santos, principal porta de saída marítima do país.

A solução assenta num modelo integrado porta-a-porta: a carga é transportada por camião a partir do cluster industrial de Campinas até ao terminal da Katoen Natie, em Paulínia, que funciona como porto seco, segue depois por ferrovia durante 213 km até Santos e, a partir daí, é integrada na rede marítima global da ONE.

Após um primeiro embarque realizado em dezembro de 2025, a operação encontra-se atualmente em fase de testes com cargas reais de uma multinacional do setor químico, com perspetiva de evolução para plena capacidade nos próximos meses.

O serviço foi desenhado para responder a setores com elevada exigência logística, como químico, perecíveis, bens de consumo e cargas industriais, incluindo cargas especiais, ampliando o leque de utilização da ferrovia, num mercado historicamente dominado pelo transporte rodoviário.

Infraestrutura e mudança de paradigma

O terminal de Paulínia assume um papel central na operação, disponibilizando infraestrutura especializada para a transferência intermodal entre transporte rodoviário e ferroviário. Ao permitir retirar carga das estradas congestionadas do interior paulista, a nova ligação ferroviária contribui para maior previsibilidade dos fluxos logísticos e para a redução das emissões de CO₂ por TEU transportado.

“Estamos a ajudar mais empresas a considerarem o transporte ferroviário nas suas cadeias logísticas. É uma solução que combina eficiência, sustentabilidade e competitividade no transporte de contentores”, afirma Marco Dornelas, Gerente de Contas Comerciais – Contêiner da MRS.

Do lado da ONE, o projeto é encarado como um passo estratégico na região. “A integração do modo ferroviário permite otimizar o fluxo logístico entre o interior de São Paulo e o Porto de Santos, oferecendo uma alternativa mais eficiente e com menor impacto ambiental”, sublinha Vivian Garcia, Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da ONE América Latina.

Mais do que uma nova rota, trata-se de um movimento com potencial de escala. A solução poderá ser expandida a novos clientes e fluxos de carga, reforçando o papel da ferrovia no hinterland de São Paulo e acelerando a adoção de modelos intermodais numa das regiões industriais mais relevantes da América Latina.

Num contexto de crescente pressão sobre custos, sustentabilidade e resiliência operacional, este tipo de integração modal tende a ganhar tração, sobretudo em geografias onde a dependência do transporte rodoviário continua a limitar a eficiência das cadeias de abastecimento.

FOTO: MRS Logística