Os mercados de fertilizantes estão sob pressão devido ao aumento dos preços espoletados pela guerra no Médio Oriente, e pelo facto de o Estreito de Ormuz estar bloqueado, sendo esta artéria por onde passa cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes, segundo a Euronews.

Países produtores, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudia e Qatar já não podem enviar fornecimentos de ureia e amoníaco, matérias-primas essenciais para a produção de fertilizantes. A juntar a isto, o preço do gás – responsável por cerca de 80% dos custos de produção de fertilizantes minerais azotados – aumentou drasticamente.

Estes obstáculos já são visíveis em vários mercados, sendo um deles Portugal. Os agricultores portugueses veem-se confrontados com grandes desafios numa altura em que ainda estão a recuperar do impacto causado pelas intempéries. Soma-se agora os aumentos de preço do gasóleo e dos fertilizantes.

De acordo com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), não foram contempladas medidas para o setor agrícola no anúncio feito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, na passada quarta-feira.

Assim, a entidade deixa algumas propostas de medidas que vêm em auxílio do setor, que é considerado estratégico para economia nacional: atenuar e reverter os efeitos de mais de 30 cêntimos de aumento acumulado no gasóleo agrícola; controlo efetivo do mercado energético, com regulação de preços; criação de um programa de compras conjuntas de fertilizantes e outros fatores de produção de forma a permitir a aquisição dos produtos a preços mais favoráveis; e combate à especulação de preços.

A CNA indica que estas medidas têm de chegar a todos os agricultores, principalmente à Agricultura Familiar, e deixa um alerta: “Se não agir de imediato com medidas destinadas ao setor, o Governo está a abandonar os agricultores à sua sorte podendo inviabilizar toda uma campanha de produção, já de si bastante comprometida.”

A Rússia como principal fornecedor da Europa

Segundo a Comissão Europeia, cerca de 22% das importações de fertilizantes da UE, em 2025, ainda provinham da Rússia, totalizando 1,3 mil milhões de euros só no primeiro semestre. Segundo a Euronews, a Rússia exportou um total de 45 milhões de toneladas em 2025.

Os países da Europa de Leste são particularmente dependentes da Rússia na importação de fertilizantes. A Polónia importou, durante anos, “quantidades consideráveis de produtos russos”, indica a Euronews. Por sua vez, os Estados Bálticos e a Bulgária também cobriram parte das suas necessidades com a Rússia.

Ainda assim, também na Europa Ocidental os comerciantes voltam a recorrer a alternativas russas quando das entregas do Qatar e de outros países do Golfo ficam paralisadas. Isto faz com que os preços aumentem ainda mais, visto que os fertilizantes russos e bielorrussos estão sujeitos a direitos aduaneiros especiais da UE, uma medida implementada desde julho de 2025. Paralelamente, foram suspensos temporariamente direitos aduaneiros aplicáveis a outros países, a fim de facilitar a importação de alternativas provenientes do norte de África e EUA.

China suspende exportações de fertilizantes

No outro lado do mundo, este problema também já se está a repercutir. Segundo o Jornal de Negócios, a China está a restringir as exportações de combustíveis refinados e fertilizantes. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, principal órgão de planeamento económico chinês, ordenou a produtores de fertilizantes a suspensão de envios para o exterior, avança o Financial Times, citado pelo JN.

O Brasil é um dos países afetados por esta medida, uma vez que é o principal destino das exportações chinesas de fertilizantes azotados, fosfatados e compostos.

Ainda assim, as restrições já estão a afetar outros países, como é o caso da Índia, que obtém cerca de 10% das suas importações de fertilizantes da China. As Filipinas, por sua vez, já estão a procurar fornecedores alternativos.