O município da Mealhada está determinado em afirmar a futura plataforma logística da Pampilhosa como um projeto estruturante, no atual contexto de volatilidade das rotas. Falando no Luso, na sessão de abertura do Cargo Freight, evento promovido pela Supply Chain Magazine, a vice-presidente da autarquia, Filomena Pinheiro, deixou uma “visão clara” para aquela infraestrutura, considerando que terá capacidade para “oferecer a estabilidade que o comércio internacional exige”.

“A Mealhada, enquanto território de centralidade, oferece condições únicas para fazer parte da solução, para ser um suporte estratégico neste novo cenário de criação de soluções alternativas”, defendeu, na sua intervenção na última quarta-feira, 4 de março, referindo que o concelho se posiciona como “uma peça fundamental na rede transeuropeia de transportes”.

Um dos argumentos para sustentar que a plataforma da Pampilhosa reúne condições únicas no panorama nacional prende-se com a localização: a proximidade ao nó ferroviário entre a Linha do Norte e a Linha da Beira Alta, bem como aos portos de Aveiro e da Figueira da Foz, e ainda à rede viária, nomeadamente à A1 e ao IP3. “Com a modernização da Linha da Beira Alta e a entrada em funcionamento da ‘linha da concordância’, a ligação ferroviária ao mercado europeu ganha fiabilidade, capacidade e relevância estratégica”, sublinhou.

“A nossa ambição é clara. Queremos que a Mealhada seja um elemento facilitador da operação logística internacional”, enfatizou a autarca, argumentando que, “perante a volatilidade das rotas orientais, o corredor atlântico ganha uma nova relevância estratégica e a Mealhada posiciona-se como um nó de ligação essencial”.

“Não somos apenas um ponto de passagem, somos um local onde a intermodalidade se concretiza”, sintetizou, considerando que esta oportunidade geopolítica exige cooperação, daí a parceria com os Portos de Aveiro e da Figueira da Foz. “É a nossa resposta coletiva, juntos oferecemos uma solução integrada”, notou.

Filomena Pinheiro reforçou a mensagem afirmando que o concelho está preparado para ser “um parceiro logístico de confiança na Europa, oferecendo infraestrutura, localização privilegiada e, acima de tudo, uma visão estratégica clara”.

Intervindo na mesma sessão, a presidente da Administração dos Portos de Aveiro e da Figueira da Foz, Teresa Cardoso, destacou o contexto em que a conferência decorreu, “um momento particularmente desafiante para o setor do transporte de carga” que convida a “refletir sobre as profundas transformações que marcam o comércio internacional, a logística e as cadeias de abastecimento globais”. Transformações essas – afirmou – que são impulsionadas pela inovação tecnológica, pelas crescentes exigências de sustentabilidade e pela necessidade de maior eficiência operacional e também por uma integração multimodal cada vez mais determinante.

“Vivemos de facto uma nova era, uma era caracterizada pela reconfiguração das rotas comerciais, por exigências ambientais mais rigorosas e por um contexto geopolítico e económico marcado pela incerteza dos mercados, mas com a certeza dos custos agravados para o setor, o que reforça a importância da resiliência das cadeias logísticas”, descreveu, concluindo que “é neste enquadramento que os portos também assumem um papel verdadeiramente estratégico, afirmando-se como plataformas multimodais, motores do desenvolvimento regional e elos fundamentais para a competitividade da economia”.