A International Procurement & Supply Chain Management (IPSM), empresa ucraniana de gestão de compras e aprovisionamento, irá começar a operar no mercado ibérico ainda este ano, de acordo com Maryna Trepova, cofundadora e diretora-executiva, que vive em Arouca desde que a Rússia invadiu o seu país, avança a Lusa citada pelo Diário de Aveiro.

Segundo a responsável, apesar de ainda não estar definido onde será registada a nova sede – se em Portugal ou Espanha – é certo que a operação será de âmbito ibérico e funcionará integralmente em regime remoto, uma vez que a maior parte da equipa é constituída por consultores contratados consoante a área de especialização exigida para cada cliente.

“No ano passado mudámos a nossa estratégia três vezes, primeiro para introduzir maior automatismo e inteligência artificial na gestão de compras, depois para alargar o leque de oportunidades de negócio na Ucrânia porque há muitas empresas à procura de negócios lá e, finalmente, para definir a operação em Portugal e Espanha, onde há potencial para mais serviços profissionais relacionados com aprovisionamento”, indicou à Lusa.

Maryna Trepova reconhece que o mercado espanhol “é muito mais amplo”, mas pretende continuar a residir em Arouca, no distrito de Aveiro, para onde se mudou em março de 2022.

A empresária conseguiu assegurar a sobrevivência da empresa em Kiev nos meses de paragem ditados pela invasão russa, ao gerir a IPSM a partir de Arouca. Mais tarde recuperou os contratos suspensos e acabou por consolidar a sua carteira de clientes, 15% dos quais situados fora da Ucrânia.

No ano passado, o volume de negócios da firma situou-se nos 120.000 euros, resultantes da experiência acumulada em setores como agricultura, indústria alimentar, telecomunicações, banca, farmacêutica e defesa, através de clientes como Vodafone, BEL, e a fabricante de gelados RUD.

Será aplicado um investimento até 10.000 que prevê elevar o volume de negócios global durante o próximo trimestre. “Contamos chegar ao fim de dezembro com, pelo menos, o dobro da faturação do ano passado, embora eu acredite que até possamos atingir os 400.000 euros”, afirma a diretora executiva.

A Ucrânia terá influência nesses resultados, uma vez que se apresenta como um “mercado de interesse crescente” para o tecido empresarial português e espanhol, em especial para médias e grandes empresas nas áreas de indústria, agricultura, banca e tecnologias de informação. “Esses serviços estão a fazer falta na Ucrânia e, como conhecemos muito bem o país e já lá temos contactos, sabemos que o diálogo com a Península Ibérica pode ser muito útil a ambas as partes”, refere Maryna Trepova.

A IPSM foi fundada em 2018 em Kiev, na Ucrânia, por Maryna Trepova e Victoria Kravchenko.

Foto: Victoria Kravchenko e Maryna Trepova, Linkedin