A edição 71 da Supply Chain Magazine parte de uma observação inequívoca: o e-commerce deixou de ser canal para se tornar infraestrutura. Num mercado global que ultrapassa os 120 mil milhões de envios anuais, a vantagem competitiva já não está apenas na presença digital, mas na capacidade de executar, com escala, fiabilidade e controlo.

Sob o mote “Do clique à cadeia”, esta edição analisa no Dossier SCM o comércio eletrónico no lugar onde ele realmente se decide: na logística. Entre novas regras aduaneiras europeias, consolidação da última milha, pressão sobre prazos e custos e maior concentração de operadores, a cadeia de abastecimento assume-se como variável estratégica do negócio digital. O digital começa na plataforma, mas resolve-se no armazém, na integração de sistemas, na gestão de devoluções e na eficiência da distribuição.

O dossier central percorre casos concretos de retalho e marketplace — Auchan, FNAC, KuantoKusta, Zumub, Perfumes & Companhia e Parfois — revelando um padrão comum: a execução logística passou a influenciar diretamente experiência de cliente, margem e posicionamento competitivo. A logística deixou de estar nos bastidores.

Mas esta edição vai além da operação. No plano regulatório, a entrevista ao Bastonário dos Despachantes Oficiais assume particular relevância num momento em que a União Europeia elimina a isenção aduaneira para encomendas até 150 euros. A conversa clarifica o que muda, que exigências documentais aumentam e como transitários, operadores e plataformas terão de adaptar processos. Mais do que uma alteração técnica, trata-se de um reposicionamento estrutural do comércio eletrónico extra-UE, onde conformidade, rastreabilidade e rigor passam a ser fatores competitivos.

No domínio do freight, a entrevista a Rui D’Orey, da Orey Shipping, acrescenta uma leitura estratégica sobre posicionamento, escala e capacidade num contexto de maior fragmentação do comércio global. Entre volatilidade, consolidação e reconfiguração de rotas, o transporte internacional entra numa nova fase de exigência.

O procurement surge igualmente em destaque com o 2025 Global CPO Survey da Deloitte, que confirma a função num ponto de viragem: pressionada por risco geopolítico, inflação e exigências ESG, mas cada vez mais central na proteção de margens e na criação de valor sustentável. Comprar deixou de ser apenas negociar melhor; é decidir estrategicamente debaixo de inverteza.

Na intralogística e na tecnologia, a edição reforça uma ideia transversal: maturidade operacional exige integração. Sistemas, dados e automação são decisivos, mas só quando articulados com pessoas capacitadas e processos desenhados para escala.

Esta edição não discute se o online é importante. Parte do princípio de que é estrutural. A questão passa a ser outra: quem executa melhor e quem está preparado para cumprir?

Tudo isto, a par das habituais secções de análise e opinião, está disponível na versão digital da sua revista de supply chain.

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