Chama-se FalcOn e é o mais inovador dos empilhadores da alemã Jungheinrich. Apresentado em estreia mundial no Innovations & Highlights 2026, esta quinta-feira, em Hamburgo (Alemanha), foi desenvolvido para testar a integração de tecnologia de alta tensão em condições reais. A Supply Chain Magazine acompanhou os novos lançamentos.

Com uma capacidade de carga de seis toneladas, é descrito como “uma obra prima da engenharia”, tendo sido construído para explorar o desempenho elétrico dos equipamentos com vista a gerar o melhor desempenho operacional.

É, nas palavras da chief sales officer, Nadine Despineux, um dos novos produtos da Jungheinrich desenhados para vencer a corrida para a pole position da intralogística.

A escolha do nome não foi aleatória. No evento, o chief technological officer, Maik Manthey, deixou claras as analogias com a ave de rapina: tal como o falcão (peregrino) é a ave mais rápida do mundo, também este FalcOn é o mais dinâmico da indústria. Assim, atinge uma velocidade de 26 quilómetros por hora, o garfo sobe aos 15 metros de altura em cerca de 4,6 segundos com carga e cerca de 4,0 segundos sem carga. E, no que respeita à eletrificação, em 30 minutos atinge entre 20 a 80 por cento da carga, o que o torna adequado para uma aplicação de elevada frequência, com tempos de inatividade mínimos.

Foi concebido para cenários em que os empilhadores elétricos anteriores já atingiram o limite, nomeadamente com cargas pesadas, pisos com grande inclinação e uso exterior contínuo sob condições climáticas exigentes. Indústrias como as de bebidas, de materiais de construção e de componentes automóveis, em que os veículos a combustão ainda dominam, são o seu terreno privilegiado de atuação.

O FalcOn é baseado nos EFG Series 5, de que foi igualmente apresentado o mais recente desenvolvimento. Descrito como “um poderoso empilhador elétrico contrabalançado”, foi concebido para uso intensivo. Trata-se, de acordo com a Jungheinrich, de uma evolução significativa nestes equipamentos pesados, que introduz uma opção elétrica sem comprometer a robustez e o desempenho.

Diferencia-se desde logo pelo tempo de desenvolvimento: 30 meses, em vez dos habituais 48, o que se deve ao facto de combinar a experiência do passado com uma abordagem nova. Com uma capacidade de carga até cinco toneladas (face às quatro do modelo anterior), atinge os 7,5 metros em altura.  O sistema hidráulico foi completamente redesenhado, assegurando um desempenho 15% superior ao seu antecessor, podendo deslocar-se a uma velocidade máxima de 20 km/h.

Um dos focos de inovação foi a ergonomia, com a introdução de um conjunto de melhorias visando aumentar o conforto do condutor. Assim, o espaço para os pés cresceu 5%, a posição dos pedais foi otimizada e o assento é mais flexível, tendo sido dotado de novos mecanismos de suspensão. Vibração e ruídos reduzidos no comportamento são outras das vantagens. Acresce que os pilares da cabine são mais finos e o veículo possui teto panorâmico, o que aumenta a visibilidade. Uma câmara de deteção de pessoas no exterior contribui para maior segurança na movimentação do equipamento.

Renovadas foram, ainda, as séries 2/2i e 3/3i. É uma “nova era” nestes empilhadores, assente na experiência acumulada de mais de 170 mil veículos vendidos. “Como tornar melhor o que já é ótimo” foi o desafio subjacente ao redesenho destes equipamentos elétricos no segmento das duas toneladas como capacidade de carga.

Face aos modelos anteriores, trazem mais conforto, mais segurança, mais produtividade e, nas palavras do Global Portfolio Lead for Counterbalance Light Trucks, Marek Scheithauer, “estão preparados para o futuro”, isto é, para manobrar em armazéns cada vez mais digitalizados.

Um dos objetivos principais visava tornar mais eficiente a sua utilização em corredores estreitos, pelo que, por comparação com as séries anteriores, o raio de viragem foi reduzido até 300 milímetros, o que gera mais 15% de eficiência na utilização do espaço.

Também nesta série houve preocupação com a ergonomia, a acústica e a segurança. Assim, para maior conforto do condutor, o espaço para as pernas ganhou cerca de 100 milímetros, o ponto de entrada no veículo foi rebaixado e a coluna de condução foi otimizada, para diminuir o esforço físico na utilização. Do ponto de vista do ruído, decresceu três decibéis no interior da cabine. Quanto à segurança, a coluna B foi redesenhada, permitindo diminuir em 65% o ângulo morto na marcha-atrás.

Foram dois dias repletos de inovação, mas também o momento para revisitar a aposta da Jungheinrich no mercado de mid-tech, um mercado que, de acordo com Nadine Despineux, apresenta um elevado potencial e, como tal, representa uma oportunidade de crescimento para a empresa.

É um mercado composto essencialmente por pequenas e médias empresas, que carecem de soluções de handling à medida das suas operações, “soluções confiáveis, rápidas e custo-efetivas”. Foi para responder a essas necessidades, “com clareza e com paixão”, que a empresa criou a marca AntOn by Jungheinrich. “Um desafio transformado em oportunidade”, como sintetizou a chief commercial officer.

Porquê esta designação? Porque “ant” é o termo inglês para formiga, um inseto que é símbolo de trabalho e de agilidade, os mesmos conceitos que estiveram na origem da fundação da Jungheinrich há 70 anos. Na identidade gráfica, o sinal de “on” para representar o poder da bateria, a eletrificação. E, visualmente, a cor roxa, para distinguir do amarelo da marca principal, mas escolhida porque ambas são, simultaneamente, contrastantes e harmoniosas. Quanto à assinatura, “Made to rely on”, captura a promessa de robustez, segurança e confiabilidade desta gama de entrada.

Já os novos EFG 2 e 3, trazem como assinatura “Build to perform”: foram desenhados do interior para o exterior, porque “os clientes precisam do melhor para as pessoas e para a tecnologia”. E, por isso, o centro da inovação foi o lugar do condutor, pois “o desempenho só acontece quando condutor e veículo funcionam como um só”.

Finalmente, o FalcOn e o mote de “Ready for the race for pole position”. Porque, tal como o falcão domina os céus, o poder, a segurança e a agilidade espelham a ambição da Jungheinrich. Assim afirmou Nadine Despineux: “É uma declaração do que é realmente possível. A alta tensão e a eficiência levadas ao limite. É o primeiro, mas veio para ficar. E há muito mais, uma plataforma onde as ideias são desafiadas, sempre com o objetivo de marcar o ritmo do futuro.”

A reportagem sobre o Innovations & Highlights 2026 da Jungheinrich será alvo de desenvolvimento numa próxima edição da SCM Media News.