A competitividade já não se decide apenas no produto ou no preço, decide-se na capacidade de garantir fluxo, resiliência e previsibilidade num mundo instável e tantas vezes anárquico. É nesse cruzamento entre geopolítica, contratos, carbono e performance que o Cargo Freight Summit 2026 posiciona o debate sobre o futuro do transporte de carga. É já nos dias 4 e 5 de março, no Grande Hotel do Luso.

Num tempo em que a geopolítica redesenha mapas, os contratos são escrutinados à vírgula e a descarbonização deixou de ser opcional, o transporte de carga deixou definitivamente de ser apenas execução operacional. É decisão estratégica. É gestão de risco. É leitura de contexto.

É neste enquadramento que o Cargo Freight Summit, a caminho da segunda edição, vai juntar no Grande Hotel do Luso decisores da indústria, operadores logísticos, transitários, armadores, advogados, académicos e especialistas internacionais para dois dias de discussão direta, concreta e sem filtros sobre aquilo que está realmente a moldar o setor.

A abertura coloca imediatamente o debate no plano macro. Tiago André Lopes, professor da Universidade Lusíada Porto, desafia a audiência a pensar o transporte à luz da instabilidade global com a conferência “Decidir num mundo anárquico: geopolítica, risco e transporte de carga”. Num cenário de conflitos híbridos, tensões comerciais e volatilidade energética, a pergunta não é se haverá disrupção, mas sim quando e com que impacto.

A perspetiva internacional entra em palco com Jaco Voorspuij, da Fixlog Consulting, sublinhando o papel cada vez mais crítico dos shippers numa cadeia global onde a escolha do parceiro certo pode significar vantagem competitiva ou exposição ao risco.

Essa visão estratégica ganha corpo na mesa-redonda “Exportação 360° – Inovação, Colaboração e Estratégias para a Competitividade Global”, que junta representantes de setores estruturantes da economia portuguesa — ASSIMAGRA – Recursos Minerais de Portugal, ViniPortugal e Portugal Fresh — com moderação da EY. Aqui fala-se de custos logísticos, acesso a mercados, integração multimodal e também de colaboração como instrumento de competitividade global.

Mas se a pressão externa é evidente, a interna não é menor. José Soares, da Universidade do Porto, introduz uma dimensão frequentemente ignorada: a humana. Em “Performance sob pressão: quando o stress começa a decidir por nós”, recorda que muitas decisões críticas no transporte são tomadas em ambientes de elevada exigência, onde a gestão emocional é tão relevante quanto o planeamento operacional.

Já na manhã de dia 5, a discussão evolui depois do macro para o regulatório e jurídico. Os Acordos Comerciais Preferenciais da União Europeia e o seu impacto nas rotas logísticas são analisados por António Pinto Ribeiro, enquanto Ana Margarida Moura traz para o centro do debate as reservas nos contratos de transporte de mercadorias e as boas práticas que podem evitar litígios num contexto de crescente complexidade.

A descarbonização surge como eixo estruturante da competitividade futura. Maria Lacalle Muls, da Carboninsets, explora como os Environmental Attribute Certificates podem acelerar metas Scope 3, reforçando a necessidade de integrar sustentabilidade na estratégia logística. A visão operacional complementa-se com Francisco Rocha, da HAVI Supply Chain TechHUB, que nos traz um olhar sobre cadeias globais exigentes, como a alimentar e com António Dinis Queirós, da Lufthansa Cargo, que traz a perspetiva do transporte aéreo na Península Ibérica, num mercado pressionado por capacidade, custos e volatilidade.

Os casos práticos e as parcerias ganham palco com intervenções de empresas industriais e operadores como a Labman com a Olicargo, evidenciando como a cooperação na cadeia global de transportes pode transformar desafios logísticos em vantagem competitiva. A engenharia e a eficiência operacional entram também na conversa pela mão do INEGI, sublinhando a ligação entre inovação industrial e desempenho logístico.

O momento-síntese chega com a mesa-redonda “Entre Rotas e Ruturas: A Nova Era do Transporte de Carga”, moderada por Fernando Cruz Gonçalves, da ENIDH. Indústria, operadores e especialistas discutem como navegar entre planeamento e improviso, previsibilidade e incerteza.

E porque o transporte raramente cabe em slides, o fecho da conferência assume um registo assumidamente diferente: “Bastidores do Transporte: as decisões que nunca vão para os slides. Num formato sem apresentações formais e sem discurso institucional, transportador, shipper e transitário falam do que realmente acontece quando o navio atrasa, a mercadoria fica retida ou o contrato não cobre o imprevisto.

Entre geopolítica, contratos, carbono, engenharia e performance humana, o Cargo Freight Summit 2026 consolida-se como um espaço onde o transporte de carga é tratado pelo que realmente é: um dos principais barómetros da estabilidade — ou instabilidade — económica global. Porque, quando o mundo abana, não são apenas as rotas que mudam. São as decisões.

Mais informações e inscrições na página do Cargo Freight Portugal Summit 2026.