É na Riberalves, empresa portuguesa especializada no comércio de bacalhau, que João Miranda assume o pelouro das compras. Uma função que acredita ser geradora de impacto real, tal como acredita que esse é o resultado de um trabalho de equipa que envolve também os parceiros. Quanto aos desafios, vê na comunicação o mais estrutural, defendendo a importância de todos os elos da cadeia falarem “a mesma língua”.
O que o levou a escolher esta profissão?
Abracei o procurement enquanto uma das minhas áreas de atuação porque acredito que é uma das áreas em que a entrega total e a visão estratégica se encontram para gerar impacto real. Mais do que o ato de comprar, é a capacidade de antecipar necessidades, transformar processos em soluções e, principalmente, fazer acontecer que torna a área atrativa e deveras desafiante. Para mim, o centro desta profissão são as pessoas; o procurement é o terreno ideal para construir parcerias sólidas, onde o sucesso não é uma vitória individual, mas o resultado de uma equipa alinhada que trabalha para elevar o serviço e o valor da organização. Felizmente tenho sido contemplado com excelentes pessoas, quer na equipa direta, quer nos parceiros que me fazem perdurar nesta longa caminhada.
Qual o maior desafio para uma equipa de procurement dentro da organização?
Um grande desafio é manter o equilíbrio entre a centralização estratégica e a autonomia operacional, sem nunca perder a agilidade; contudo, acredito que o verdadeiro, o maior desafio estrutural é a comunicação. Para que o procurement deixe de ser reativo e passe a ser um parceiro proativo, é fundamental que existam processos integrados e um alinhamento transversal com as equipas operacionais. O sucesso depende de conseguirmos que todos falem a mesma língua, garantindo que os critérios de sustentabilidade e eficiência sejam compreendidos e adotados por todos os envolvidos na cadeia de valor. Acumular com o ponto anterior a sensibilidade de perceber e gerir criticidade, do binómio tempo vs dinheiro, do binómio solução ideal vs solução possível no tempo disponível, do pragmatismo vs teoria ou a velha máxima “mais vale uma má decisão que uma não decisão” será um plus muito valorizado.
Quais as três competências-chave fundamentais num profissional de procurement?
Baseado na minha experiência e visão, considero fundamentais:
- Visão estratégica com foco na entrega: Ter a sensibilidade de perceber como cada decisão impacta o resultado final e o cliente, integrando critérios de sustentabilidade desde a origem;
- Pensamento colaborativo e parcerias de confiança: Valorizo a negociação ética que procura soluções win-win. O procurement moderno não vive de transações isoladas, mas de relações duradouras construídas com base na confiança e qualidade. Aplico-o desde sempre, aliado á total transparência e frontalidade, acertando, errando, construindo!
- Liderança mobilizadora e comunicação: Esta é, para mim, vital. É a competência de envolver as equipas e construir pontes entre áreas. Não sou eu quem entrega o resultado, é a equipa; o meu papel é transformar a complexidade em clareza e agilidade, garantindo que, só juntos, conseguimos elevar o valor da organização.
Esta entrevista foi publicada na SCMedia News #70.



